Webmarketing e as estratégias do luxo

Hoje tive uma manhã de madame. Me dei ao luxo de acordar as nove horas!
Convenhamos: pequenas contravenções fazem muito bem à pele...e também a alma.

Tomei café lendo o jornal! Adoro esse ritual de preguiça que quase nunca consigo realizar.
Concluo que a vida de perua deve ser muito boa!! ;D

Como dizem por aí: Fazer nada é tudo!!

Me deparo com uma notinha que fez minha cabeça rodar a mil. (ou terá sido a cafeína..?)

Transcrevo a notícia no final do post.

O tema da nota é ( aparentemente) muito simples: a entrada da joalheria Vendome 1699 no Brasil.

Por aqui o mercado de luxo movimenta algo em torno de US$6 bi/ano.

O site Luxury Lab pontua a cada dia as pegadas desse segmento. E alguns blogs de iniciativa de marcas conceituadas atualizam as tendências.

Ok, afinal o que isso tudo tem a ver com Inteligência de Mercado na Web?
A Vendome 1699 não tem lojas físicas e existe há menos de 3 anos. Toda a sua estratégia está baseada nas redes de relacionamento.

Seu site é mais hermético do que os tratados alquímicos medievais.

Nenhuma foto de produto e na página principal apenas a imagem da imensa praça Vendôme em Paris, mundialmente conhecida como o local das maiores e mais tradicionais joalherias da cidade.
1699 não quer dizer nada, mas induz a um número de uma loja localizada na praça famosa...!

Na redação da nota no jornal há dois verbos muito sugestivos - Sugerir e Intuir - o que demonstra a utilidade da psicologia social do consumidor para a estratégia de mercado da marca. ( momento maldade: cá pra nós, pelo menos para alguma coisa tinha que ter utilidade...) #prontofalei

Pois bem, a empresa trabalha com a seguinte estratégia: Mailing list segmentado por renda, festa VIP onde só entram os cadastrados e seus amigos e por e-commerce.

Nada de loja em Shopping ( com os aluguéis astronômicos e todas as taxas decorrentes), nada de decoração, móveis, folha de pagamento, treinamento, sistema de segurança, nem verba de publicidade e mídia, folder, encarte em revistas, catálogo, fotógrafos e todos os encargos envolvidos uma operação comercial no mundo real.

Nada de novo! A Tupperware fazia isso desde a década de 50, 40?

Nenhuma inovação, mas um certo ar de mistério.


A inteligente estratégia de mercado da Vendôme 1699 é um misto de MMM- Marketing multi nível - e utilização das redes sociais, com toques de festa, experiência e relacionamento.

Ou seja, o antigo agora com chantilly na versão digital e formato matador!

O que seria gasto em todo o processo tradicional da loja agora é investido num espaço de clube bacana - ou um restaurante de um chef da mod, fechado exclusivamente para o evento -, ou um dos salões de um hotel 5 estrelas; taças de cristal, champagne, garçons, glamour, convites entregues por mensageiros e muito sigilo para não atrair a atenção dos meliantes...

Não se sabe se sua operação envolve o processo industrial da fabricação de joias ou se ela se ocupa apenas da parte comercial. Nesse caso deve comprar as peças de designers avulsos globais.


Todo esse investimento ainda deixa seus produtos 30 a 40% mais baixos do que os das joalherias que ainda operam nos modelos tradicionais.

Onde as redes sociais vão nos levar? E o e-commerce?

Perguntinhas básicas:

- O que os Shoppings e Malls estão fazendo sobre isso?
- Como a geração Y ou pós-Y vai consumir?
- Como utilizar as redes sociais para vender seu produtode forma inteligente sem ser chato e invasivo? " Clic aqui e veja as nossas promoções imperdíveis" ou pior, "RT e concorra"

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Da coluna Blue Chip do jornal Valor Econômico caderno Empresas- página B6

" Luxo para poucos"

O nome da joalheria Vendome 1699 tem suas pegadinhas premeditadas. Quem conhece a Place Vendôme de Paris, quadrilátero que reúne joalherias de luxo, pode sugerir que a grife seja uma delas. Ou facilmente intuir que se trata de uma marca centenária, fundada em 1699.
Na verdade, a Vendome 1699, de joias sob medida, está no mercado há apenas dois anos e nem loja tem. E nem pretende ter. A estratégia é vender seus aneis e brincos de diamantes em dois ambientes: Festas VIP e na Internet.

"No Brasil as pessoas estão dispostas a pagar mais caro por joias", comemora Baruk Pilo, CEO da marca. Ele procura um representante no país para gerenciar a operação brasileira da Vendome 1699 e organizar o primeiro bate-copos com potenciais consumidoras brasileiras para apresentar seu portfólio - e vender as joias, claro.
Essas festas são feitas em 14 países para as clientes que fazem parte do "clube" da marca, em que só entram convidados e seus amigos. "É o luxo para poucos" define Pilo. Há planos de formatar o e-commerce da joalheria para o Brasil. A loja virtual funciona na França, Bélgica, Suíça e Reino Unido. "Em longo prazo, a venda on-line deve representar 20% do faturamento. O e-commerce nos permite praticar um preço 30%ou 40% menor do que as joalherias que têm lojas físicas", diz Pilo.
No Brasil, as joias da Vendome 1699 devem custar, em média, R$ 7 mil. A expectativa é de que o país represente 10% do negócio em cinco anos.

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PS: Desnecessário dizer, mas digo mesmo assim: não conheço a tal marca nem ganhei nenhum joia para escrever sobre ela.
Apenas achei interessante sua estratégia de mercado.
Pura ingenuidade de minha parte. Num futuro bem próximo esse tipo de comentário vai gerar moedas virtuais e prestígio digital. O Facebook já está se movimentando para isso... aguardem post em breve.

Cultura Digital ilimitada


Posso estar totalmente enganada mas ainda estamos engatinhando quando o assunto é o alcance de plataformas digitais!
A história desse garotinho de 6 anos é mais um exemplo de quanto nossa visão é limitada sobre esse tema.
Esse é apenas mais um exemplo no meio de tantos outros que estão ocorrendo a cada dia mais com muita intensidade. A questão é :
- Até que ponto estamos preparados para utilizar os meios digitais com um mínimo de inteligência e senso de oportunidade?



Menino paga tratamento de câncer vendendo desenhos na internet

DA BBC BRASIL

Um menino americano de 5 anos conseguiu pagar o próprio tratamento de câncer vendendo 3.000 desenhos de monstros, palhaços e alienígenas na internet, muitos deles feitos na cama do hospital.

Aidan Reed, que vive em Kansas City, nos Estados Unidos, foi diagnosticado com leucemia em setembro do ano passado.

Os pai dele, Katie e Wiley, tiveram de ver o filho enfrentar semanas de sofrimento com o tratamento de quimioterapia e outros procedimentos dolorosos, mas tinham esperanças, já que os médicos haviam dito que o tipo de câncer de Aidan tem uma taxa de cura de 90%.

Só que com as contas de hospital se acumulando, os Reed tiveram de colocar a casa da família à venda. Foi aí que surgiu a ideia de transformar um hobby de Aidan em fonte de recursos.

"Eu gosto de desenhar cavaleiros, bobos da corte, palhaços assustadores e alienígenas", disse Aidan ao Survivors Club, uma organização que ajuda pessoas que enfrentam adversidade.

"Eu também gosto de me vestir de palhaços bons e palhaços malvados. Eu posso ser um lobo ou um zumbi..."

SUCESSO

Durante o tratamento, Aidan gostava de desenhar monstros. Estes desenhos foram colocados à venda na internet pela tia do menino, Mandi Ostein.

"Meu número de sorte é 60, então eu decidi que iria vender 60 desenhos", disse Ostein.

Mas o sucesso foi tanto que a tia de Aidan acabou transformando sua casa em um centro de impressão e envio de desenhos. Muitos deles eram "assinados" pelo artista.

Pedidos chegaram de vários países do mundo, inclusive do Brasil.

"Eu fiquei chocado com a reação aos desenhos de Aidan. Acho que para ele também tem sido uma boa distração da doença", disse o pai de Aidan, Wiley Reed.

No fim, foram vendidos cerca de 3.000 desenhos, arrecadando mais de US$ 30 mil (R$ 47 mil), o suficiente para cobrir todos os gastos com o tratamento e cancelar a venda da casa da família.

"É absolutamente inacreditável. Nós somos moradores de uma cidadezinha do Meio Oeste americano. Este tipo de coisa não acontece com a gente", disse Ostein.

Notícia publicada aqui

Crowdfunding: ele chegou pra ficar


Quem é Amanda Karoline?

Nunca a vi mas sei que é uma menina valente que mora em Natal, tem 19 anos e faz Design e Produção Cultural.
Ela contou sua história no Catarse , colocou seu projeto pra rodar e conseguiu o que queria: Participar do YOUPIX - festival de cultura web que vai rolar nos dias 26 a 28/04 em SP - e que está deixando a galera descolada em delírio.

Mais ou menos o que a Campus Party é para os geeks.

O Catarse - agora Multidão - Produção Cultural Colaborativa - é uma iniciativa de crowdfunding .
Para saber exatamente o que é crowdfunding é só dar uma olhada no link. Mas numa tradução bem sem vergonha é o seguinte: Pessoas se juntam, colocam grana do próprio bolso e colaboram para financiar o projeto de uma outra pessoa.
Mais simples, direto e sem burocracia impossível!

No caso da Amanda, seu projeto era ir ao Youpix.
Ela fez as contas, viu que precisaria levantar R$2.295,00 para a viagem, hospedagem, alimentação e para os outros etcs e o que era desejo ganhou forma e virou projeto.
Essa animação abaixo é o resultado final que ela enviou ao site.


A transparência e beleza do processo é fascinante.

Ao utilizar todas as ferramentas que tinha nas mãos, descruzar os braços e ter uma atitude proativa ela colocou sua criatividade em ação.


Arregaçar as mangas é o primeiro passo para fazer acontecer.
Vestir o modelito da vítima e reclamar seria muito mais fácil.

Esse é um exemplo típico do que é possível ser feito com a força da web.
Atitude digital típica do século XXI. Tanto pessoas quanto empresas podem decolar se tiverem visão e estiverem antenadas com as tendências.

Parabéns Amanda, você conseguiu!

Amanda Karoline

Aqui você twita com ela: @frngrr
Aqui você confere como essa história começou: http://www.melevaproyoupix.blogspot.com/

# Hashtag (do mal)! Não deixe jamais sua empresa ser uma



Argh...!

Pode duvidar, mas ainda tem coisas que acontecem que você se pergunta - "Mas não tinha um estagiário, um trainee, ou um analista, assessor, secretário, tia do cafezinho.... ninguém na empresa para avisar que aquela campanha ia ser uma cilada? "

O trend topic Brasil do Twitter hoje foi uma empresa de calçados, que eu não vou nem mencionar o nome para não cair no velho golpe do " falem mal, mas falem de mim.."

Dizem as más línguas que ela já vendia " gato" por "lebre".

Madame comprava o sapato, jurava que era de couro e na primeira chuva ele desmanchava. Nem a cola era legítima.
Mas agora a empresa resolveu inovar lançando uma linha de pele de animais exóticos.

“Não entendemos como nossa responsabilidade o debate de uma causa tão ampla e controversa. Um dos nossos principais compromissos é oferecer as tendências de moda de forma ágil e acessível aos nossos consumidores”, disse a companhia, em comunicado. “Por respeito aos consumidores contrários ao uso desses materiais, estamos recolhendo em todas as nossas lojas do Brasil as peças com pele exótica.”

Até que ponto uma empresa pode se dar ao luxo de falta de sintonia com o seu tempo?
O que é pior? A falta de sintonia ou de noção!



" A empresa começou a divulgar a coleção Pelemania nas mídias sociais na quarta-feira à noite, para uma rede de 4.496 amigos do Facebook e 24.482 seguidores no Twitter. A marca lançou peças com pele de raposa, coelho e ovelha. "
Você pensou que não podia ficar pior?

Quando o circo começou a pegar fogo, a empresa iniciou uma cyber ataque em sua página no Facebook e foi apagando os comentários negativos à coleção!!

Não ria. O assunto é sério!

Do ponto de vista da inteligência de mercado, depois de passado o vexame e toda a equipe receber justa causa, o que essa empresa pode fazer?

Colocar a marca de uma empresa nas mídias sociais requer um mínimo de planejamento e estratégia.

Nesse caso, o erro ocorreu não só no Marketing tradicional - pela provável falta de uma pesquisa quantitativa e qualitativa. Na falta de uma leitura de jornais e revistas que trazem um termômetro dos principais temas tratados na mídia e mostram que assuntos devem ser evitados.
Mostrou uma equipe despreparada, uma direção omissa e principalmente um deslumbramento arrogante.

Aprendeu do modo mais caro o que não se deve fazer numa campanha de Web Marketing.
Qual o custo dessa ação desastrada? Custo de receita e de imagem?

Quando é que as empresas desse país vão compreender que uma campanha planejada é investimento?

Conseguir ser uma # hashtag pode ser o sonho de consumo de quem frequenta as redes socias. Mas nesse caso foi puro pesadelo!

Branding, nothing more than branding


Quando a inteligência de mercado encontra o bom humor o resultado só pode dar nisso: sucesso líquido!

O casamento real britânico movimenta o mercado. Além de aumentar a venda de tablóides, of course.

Com o buxixo causado pelo enlace no próximo dia 29/04, uma empresa de telefonia móvel local fez uma campanha genial.

Aproveitando um tema que já tinha sido um viral há poucos anos de um casamento nos USA , essa empresa agora colocou a família real para entrar na igreja dançando.

Imagina só o efeito de fixação de marca!

Esse vídeo está no No canal da T-Mobile no Youtube. Viral absoluto na Web.



Essa bem humorada campanha da T-Mobile mostra algumas coisas:

- Bom humor é infalível. Rir de si próprio é o primeiro sintoma de saúde mental!
-Tudo que é fixado com sorriso e prazer fica mais tempo na memória do consumidor e é mais comentado, é o que professa o Neuromarketing.
- A mídia está sendo pautada pelo público. O casal que primeiro teve a ideia de fazer a entrada triunfal na igreja dançando é de um estado no interior dos USA. Aparentemente a ideia deles não foi criada por uma empresa de publicidade genial. Mas certamente foi parodiada por uma, que tem uma super conta de uma grande empresa.
- Portanto, vamos abrir nossos olhinhos. Assim como no post anterior eu comentei a história da mocinha que vendeu seus livros pelo Kindle depois de ter sido esnobada pelas editoras, tem muita coisa boa acontecendo embaixo dos nossos narizes empinados. Que juram que para ser bom e ter divulgação tem que ter o aval de grandes nomes e empresas. Que nada, basta é ter talento.

Bye, bye mundo analógico, bye, bye!



Amanda Hocking. Quase ninguém conhecia essa garota até o início desse ano.
Agora ela acaba de quebrar uma barreira invisível mas tremendamente alta, praticamente intransponível e impensável antes dela.
Aos 26 anos ganhou seu primeiro milhão escrevendo romances urbanos do tipo Crepúsculo vendidos a partir de $0.99 para o Kindles e-book da Amazon.
Até ontem, a pesquisa de seu nome no Google trazia mais de um milhão de resultados.

Seu case é assunto de várias revistas, e portais.

Amanda escreve de sua casa no interior de Minnesota/USA.

Seus trabalhos foram recusados por várias editoras e ela resolveu isso da melhor forma possível: deu uma banana para as editoras.
Cortou todos os intermediários e foi direto à fonte. Ao Kindle. Se várias outras Amandas fizerem isso as editoras vão entrar no mesmo buraco negro das gravadoras.

Junto com essa atitude digital vai embora alguns milhares de postos de trabalho!
Bye, bye, agentes literários, livreiros, secretárias, copydesks, layoutistas, empresas de papel, empresas de transporte, gráficas, fabricantes de tintas, críticos literários, relações públicas, motoristas.... a tia do cafezinho...

Depois do sucesso de sua atitude "rebelde" Amanda foi assediada por várias editoras e topou aceitar um contrato. Se achar que vale a pena, continua, se não dá um tchauzinho e volta de onde saiu. O que importa aqui não é se ela se rendeu ao mainstream ou não. O importante nesse história toda foi o rompimento da barreira!!

Não se iluda, esse tsunami está apenas no início.
Essa onda ainda nem começou a se erguer, mas o resultado será devastador.
Uma atitude pró-ativa modificou o modus operandi da indústria tradicional do livro.

Em breve vamos finalmente acordar do lindo sono de Cinderela e perceber que não precisamos de políticos, gabinetes, assessores, chefes, etc, etc, etc...


Os sete erros da não gestão e os sete pecados capitais

Há uma mentalidade jeca instalada na política e no ambiente empresarial desse país que nem os furacões de ultimamente conseguiram dissipar.

As poucas exceções que existem destacam-se justamente por isso - não passam de meia dúzia.

“São uns bocós” diria Rei Julian de “Madagascar”. Alguém tem dúvida que ele é um fofo?

Nada como um bom personagem para colocar as coisas em perspectiva.

Vai ser preciso passar uma geração inteira para que os medos e as pequenezas dos empreendedores bocós sejam superadas? A questão é: Teremos tanto tempo assim para esperar?

Provavelmente você deve ter suspirado e pensado o quanto o local de seu trabalho se encaixa nessa categoria. Calma, nada de ficar cabisbaixo. Para tudo tem um jeitinho.

Alguns erros que são tão primários, tão toscos, que ficamos nos perguntando como é possível que ainda ocorram.

Aqui vão sete erros básicos de empresas que não praticam nenhum tipo de inteligência de mercado no seu dia a dia. Sete é um bom começo. Poderia ser setenta, mas aí esse post ficaria muito chato.

Não se iludam, Para erros primários, soluções básicas.
Quem sabe assim haja alguma compreensão?
Em terra que dá mais de um milhão de votos para analfabetos não se pode ir muito além do
“vovô viu a uva”.

Erro primário número 1:

- Não identificar seus pontos cegos nem conhecer na palma da mão as sutilezas do seu setor de atuação. Para onde o vento está soprando? Querer ganhar mais, ou o mesmo que antes, sem fazer necessariamente nada diferente para isso. Mais ou menos o que enfrenta hoje a Microsoft em relação aos seus 2 principais concorrentes: Google e Apple!! Ou Blockbuster X Netflix e mais tantos outros exemplos daqui e de lá, grandes e pequenos. Ignorar plataformas emergentes dá nisso, a empresa torna-se irrelevante no longo prazo. Aqui uma boa opção é a gula.

Erro primário número 2:

- Não procurar se aprimorar. Não ler, não estudar, não participar de seminários, nem de nenhuma entidade de classe. Achar que sabe tudo, que nada é novidade, que o que sempre deu certo continuará dando. Se recusar a arriscar. Apegar-se aos ganhos passados e atuais, encastelar-se e ter um medo tremendo de inovar. Continuar com a mesma equipe, não arejar o ambiente com gente diferente, que traga idéias novas.

Conhecemos bem de perto esse perfil, até bem pouco tempo aqui na Terra de Santa Cruz vangloriar-se de nunca ter lido um livro era coisa fácil de se ouvir. Aqui poderia se encaixar a soberba ( ou vaidade).

Erro primário número 3:

- Contratar pessoas menos qualificadas, semi competentes ou quase medíocres, tanto faz. Que aceitam uma remuneração baixa, não dar treinamento, nem recursos tecnológicos decentes e ainda por cima cobrar resultados.

Ou pior, em situações mais extremas e criminosas usar trabalho escravo, explorando miseráveis como o que é feito com o lado podre da indústria da moda, na Ásia e também aqui (bolivianos, paraguaios e peruanos). Ter a marca associada a esse tipo de crime é quase como praticar suicídio de mercado.

O nome disso? Avareza

Erro primário número 4:

- Desrespeito aos concorrentes subestimando sua capacidade de sucesso. Inveja. Tsc, tsc, coisa mais feia..

Erro primário número 5:

- Luxúria: Segundo o Wikipédia é “deixar-se dominar pelo exagero das paixões materiais”.
Todo excesso traz em si o princípio da luxúria, primeiro passo para a ganância.
Um negócio, qualquer que seja seu porte, tem também uma função sócio-ambiental. Sua sobrevivência e continuidade dependem dos seus lucros, mas ele existe para ser mais que uma máquina de fazer dinheiro. Mesmo porque caso não haja um significado mais amplo ao longo do tempo, não sobreviverá. Vai faltar alma e sangue. Pessoas precisam de significado. Sentir-se fazendo parte de algo maior. Caso contrário a rotatividade é grande e o custo disso maior ainda. Clientes gostam de comprar de empresas responsáveis e sustentáveis.

- Erro primário número 6:

O pior dos pesadelos: Comprar na alta e vender na baixa. Atire a primeira análise gráfica quem nunca caiu nessa armadilha. Da mesma forma o empresário que não planeja, age sem nenhum método nem disciplina e fica bravo quando é perguntado sobre esses assuntos quando seus pequenos prejuízos começam a ser mais constantes do que seus lucros. A mistura do excesso de otimismo com achismo é explosiva e pode levar a assumir riscos desnecessários. A ira é a conseqüência mais imediata. O stress vem em seguida e vai oxidando todo o patrimônio duramente conseguido.

Erro primário número 7 (mas não menos importante):

- Não fazer nenhum cadastro do cliente que entrou naturalmente na sua loja, ou no seu site. Esse descuido merece cadeira elétrica.

O cliente te escolheu – espontaneamente - por que não oferecer alguma motivação para que ele anote o nome, e-mail e celular numa nesguinha de papel?
Não acredito que sua empresa não tenha nada, NADA, nadinha para oferecer em troca dessa possível mina a ser garimpada. Esse comportamento certamente sugere a
preguiça.

Não se iluda, manter-se alinhado com o mercado, com ações e campanhas inteligentes, requer tempo e preparo. Todos os negócios são cíclicos. O mercado sempre tirou de cena os incompetentes. Cedo ou tarde eles desaparecem. A grande charada é como ficar mais tempo na ativa e gerando recursos.

Na dúvida, chame essa turma aí de baixo. Eles costumam resolver as paradas mais difíceis.


Escassez de profissionais na America Latina

"Empresas esbarram em falta de gerentes na América Latina"

Paulo Trevisani | The Wall Street Journal

16/03/2011

Uma escassez de profissionais de alto escalão tem se tornado um obstáculo para as empresas que tentam entrar ou se expandir nos países que mais crescem na América Latina, dizem headhunters e executivos de vários setores.

A alta do câmbio e o boom econômico estão atraindo executivos para trabalhar na região, mas em número ainda insuficiente para o crescente apetite por diretores.

Algumas empresas já tiveram de adiar projetos e aumentar investimento em treinamento interno para executivos, sem falar no gasto com salários mais altos e incentivos para evitar que mudem de emprego, segundo profissionais de recursos humanos.

Analistas sênior e administradores de carteira, por exemplo, têm sido difíceis de achar no Brasil, diz Paulo Silvestri, sócio da Rio Bravo Investimentos, a empresa paulista de investimento em participações que tem negócios em infraestrutura, logística e outros setores. Ele esteve em Nova York em fevereiro para, entre outras coisas, reunir-se com brasileiros recém-formados em cursos de MBA americanos que estavam considerando voltar para o Brasil.

Geralmente, profissionais como esses partiriam para uma carreira internacional logo depois de um MBA no estrangeiro, mas essa tendência se inverteu, diz Silvestri. Segundo ele, pessoas como as que ele entrevistou - cuja possível contratação ainda não estava confirmada - são cada vez mais procuradas e estão em falta, apesar de a remuneração na moeda local parecer mais atraente quando convertida a dólares ou euros.

O real subiu cerca de 25% em relação ao dólar nos últimos quatro anos, enquanto o peso chileno subiu 11%, o sol peruano 18% e o peso colombiano, 19%, só para citar alguns exemplos de uma tendência que se espalha pela América Latina.

Luciano Siani, diretor global de recursos humanos da Vale S.A., uma das maiores mineradoras do mundo, diz que com a alta do real ficou mais fácil oferecer um salário anual de US$ 100.000 a US$ 120.000 (algo como R$ 15.000 mensais) que, segundo ele, é atraente para profissionais que acabam de sair de um MBA de qualidade internacional. A Vale, que recruta em campus de faculdades de alto nível nos Estados Unidos e outros países, tem conseguido atrair talentos para trabalhar no Brasil e outros países latino-americanos em que opera também graças ao bom momento econômico da região, diz ele.

Contudo, Siani diz que "há uma escassez de prontidão para diretores de projeto seniores" para manter o passo com a expansão da companhia, e isso tem levado a Vale a promover executivos mais jovens para esse tipo de posição. "Para liderar um projeto de US$ 3 bilhões, você precisaria de um executivo de seus 40 a 45 anos que já tivesse trabalhado em dois ou três projetos grandes", diz, mas agora a Vale tem cada vez mais promovido pessoas na casa dos 35 e está intensificando o treinamento interno para que possam encarar mais cedo um cargo mais alto.

Como parte desse esforço, diz Siani, a Vale está contratando este ano 40 treinandos de gestão, com até 3 anos de pós-graduação MBA ou equivalente. Eles passarão por um programa de treinamento de 18 meses em seu primeiro passo a caminho de liderar um projeto bilionário na Vale, diz Siani, acrescentando que o grupo deste ano é o dobro do de 2011 e inclui 29 brasileiros e 11 estrangeiros que serão alocados nas operações da Vale ao redor do mundo.

Um desses trainees, Emil Ivanov, mudou-se da Holanda para o Rio em 2008, recrutado pela Vale. Ele diz que foi atraído pela possibilidade de trabalhar "num ambiente muito agressivo e de alta velocidade" que julgava difícil encontrar na Europa. Um profissional de recursos humanos de 26 anos nascido e educado na Bulgária, Ivanov agora está se mudando para a Suíça, onde, como analista sênior de RH da Vale, vai ajudar a companhia a promover sua marca entre possíveis contratados. Ivanov diz ter encontrado no Rio um ambiente de trabalho em que "as pessoas estão abertas a novas ideias". Como trainee, "podia falar diretamente com o diretor-presidente Roger Agnelli, o que não imagino acontecendo, digamos, na Alemanha ou no Reino Unido".

Em geral, a Vale, que divulgou lucro de US$ 17,26 bilhões em 2010, está investindo cerca de US$ 100 milhões em seus programas de treinamento global em 2011, cerca de "30% a 50%" mais do que no ano passado, diz Siani.

Pode valer a pena, já que no setor de mineração os diretores de projeto estão em alta demanda e é difícil de preencher os cargos, especialmente para empresas menos proeminentes, diz John Byrne, diretor de pesquisa de executivos da firma de recrutamento americana Boyden Global Executive Search no Chile.

Em geral, diz Byrne, diretor de projeto é um cargo de US$ 350.000 a US$ 400.000 por ano na América Latina, comparado com US$ 300.000 a US$ 350.000 um ano atrás. Dessa estimativa, 30% representa bônus, e opções de ações não estão incluídas, diz ele. Essa variação, diz Byrne, mais que compensa a alta do custo de vida na região.

Byrne acrescenta que os bancos também estão tendo dificuldade para preencher posições de destaque. A Boyden Chile está procurando um vice-presidente de planejamento e controle para um banco local há mais de seis meses, diz ele. "Encontramos alguns possíveis candidatos", diz, mas outros bancos também fizeram ofertas e eles não acertaram com o cliente de Byrne.

Gerentes de investimento para clientes ricos de bancos agora podem esperar uma oferta de salário 40% mais alta para ir trabalhar num concorrente do mesmo porte em mercados como México, Chile, Brasil e Colômbia, diz Manuel Corsino, um recrutador da Boyden para a América Latina baseado na Flórida e especializado no setor financeiro. Isso se compara a 10% a 20% nos EUA, diz ele. O custo de preservar esses profissionais também está subindo, com bônus de retenção - dado a recém-contratados sob o compromisso de ficarem um certo número de anos no emprego - em alta de 300%, diz Corsino.

Mas nem todo mundo está reclamando. O diretor de recursos humanos do Citigroup Inc. para a América Latina, José Martí, disse num e-mail que "o Citi não tem experimentado nenhuma dificuldade recentemente em preencher posições de alto nível na América Latina". Contudo, Martí admitiu que "o Brasil tem apresentado desafios diferentes", com "uma oferta limitada de talentos de alto nível" que está elevando os níveis de remuneração, disse.

Na verdade, as economias mais aquecidas da região estão absorvendo quase toda a mão de obra disponível, não apenas a qualificada, com o Brasil registrando um desemprego de 6,1% em janeiro que, embora mais alto que o de dezembro, foi o menor para o mês desde 2003, segundo o IBGE. A renda média no país foi de R$ 1.538,30, 5,3% mais alta do que um ano antes. Uma escassez de mão de obra qualificada tem sido observada em várias indústrias no país todo.

No topo da pirâmide corporativa, o salário médio de um diretor-presidente ou equivalente no Brasil subiu 19% entre janeiro de 2009 e janeiro de 2011, para R$ 50.266 por mês, segundo dados da pesquisa trimestral da Catho Online, que ela informa ter ouvido 140.000 pesquisados.

Silvestri, da Rio Bravo, diz que o impacto da escassez de diretores vai além dos custos trabalhistas. "Eu já tive de atrasar alguns projetos" em empresas que a Rio Bravo controla devido à falta de gerentes, diz, sem dar detalhes. Agora sua firma está investindo em treinamento interno, recrutando profissionais jovens e tentando ensinar-lhes novas habilidades.

Fonte: Jornal Valor Econômico - 16/03/2011

Assim falou Paul Krugman

Qualificação profissional e educação não garantem o futuro


Paul Krugman

Todo mundo sabe que a educação é um fator fundamental para o sucesso econômico. E todos sabem que os empregos do futuro exigirão níveis de qualificação cada vez mais elevados. Foi por isso que, ao dar uma declaração quando estava acompanhado do ex-governador da Flórida Jeb Bush, na última sexta-feira, o presidente Barack Obama afirmou: “Se nós desejarmos mais boas notícias sobre empregos, precisaremos investir mais em educação”. Mas há um erro em relação a esta verdade conhecida por todos.

No dia seguinte ao evento do qual Barack Obama e Jeb Bush participaram, o “The Times” publicou um artigo sobre o uso crescente de softwares para a realização de pesquisas na área de direito. Os computadores são capazes de analisar rapidamente milhões de documentos, realizando de maneira barata uma tarefa que antigamente exigia um batalhão de advogados e especialistas em direito. Neste caso, então, o progresso tecnológico está na verdade reduzindo a demanda por trabalhadores com alto nível educacional. E as pesquisas na área de direito não se constituem em um exemplo isolado.

Conforme o artigo observa, os programas de computador estão também substituindo engenheiros em certas atividades, como o design de chips. Falando de forma mais abrangente, a ideia de que a tecnologia moderna elimina apenas os empregos para trabalhadores não qualificados, e de que os profissionais de alta qualificação são os nítidos vencedores, pode prevalecer nas discussões populares, mas a verdade é que tal ideia está na verdade superada há décadas.

O fato é que desde mais ou menos 1990 o mercado de trabalho dos Estados Unidos caracteriza-se não por um aumento generalizado da demanda por qualificações, mas sim por esvaziamento de uma “zona intermediária”: o número de empregos de alta e de baixa remuneração têm crescido rapidamente, mas o daqueles de remuneração média – ou seja, aquele tipo de trabalho que sustenta uma classe média robusta – tem ficado para trás. E esse buraco no campo intermediário do mercado de trabalho tem aumentado continuamente: muitas das ocupações de alta remuneração que cresceram rapidamente na década de noventa têm crescido muito mais lentamente nos últimos tempos, ainda que o índice de empregos de baixa remuneração tenha se acelerado. Por que isso está acontecendo?

A crença de que a educação está se tornando cada vez mais importante se baseia na ideia aparentemente plausível de que os avanços tecnológicos resultam em um aumento das oportunidades de emprego para aqueles indivíduos que trabalham com informação – ou, em outras palavras, na ideia de que os computadores ajudam aqueles que trabalham com o cérebro, prejudicando ao mesmo tempo as pessoas que fazem trabalhos manuais.

Alguns anos atrás, porém, os economistas David Autor, Frank Levy e Richard Murnane argumentaram que esta era a forma errada de pensar a respeito dessa questão. Eles observaram que os computadores são excelentes para as tarefa que envolvem rotina, “tarefas cognitivas e manuais que são realizadas mediante o seguimento de regras explícitas”. Portanto, qualquer tarefa rotineira – uma categoria que inclui muitos empregos qualificados, não manuais – encontra-se na linha de fogo.

Por outro lado, os trabalhos cuja execução não se dá mediante o seguimento de regras explícitas – uma categoria que inclui vários tipos de trabalho manual, de
motoristas de caminhão a zeladores de edifícios – tenderão a crescer mesmo com o progresso tecnológico. A questão fundamental é que a maioria do trabalho manual que ainda está sendo realizado na nossa economia parece ser de um tipo que é difícil de automatizar.

Notavelmente, com os operários respondendo por cerca de 6% do emprego nos Estados Unidos, não restaram muitos empregos nas fábricas para serem perdidos. Enquanto isso, muitos trabalhos qualificados que são atualmente realizados por profissionais de alto nível educacional e que geram um pagamento relativamente elevado poderão ser em breve computadorizados.

O aspirador de pó robotizado Roomba pode ser engraçadinho, mas falta muito ainda para que tenhamos robôs atuando como zeladores de prédios. Mas
a pesquisa computadorizada na área de direito e os diagnósticos médicos auxiliados por computadores já fazem parte da realidade atual.

Além disso, há a globalização. Antigamente, só os trabalhadores de fábricas precisavam se preocupar com a concorrência do exterior, mas a combinação de computadores e telecomunicações tornou possível o fornecimento de diversos serviços à distância. E as pesquisas dos meus colegas da Universidade de Princeton, Alan Blinder e Alan Krueger, sugerem que os trabalhos de alta remuneração feitos por profissionais de elevado nível educacional são mais fáceis de serem transferidos para o exterior do que aqueles desempenhados por trabalhadores de remuneração e nível educacional mais baixos.

Caso eles estejam certos, a tendência
crescente de internacionalização dos serviços esvaziará ainda mais o mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Então, o que tudo isso nos diz a respeito de políticas públicas? Sim, nós precisamos consertar o sistema educacional dos Estados Unidos.
( só de lá????)

Em especial, as desigualdades que os norte-americanos enfrentam logo no início – crianças brilhantes oriundas de famílias pobres têm uma probabilidade menor de concluírem um curso superior do que os crianças bem menos capazes, mas que são filhas de indivíduos ricos – não se constituem apenas em um escândalo; elas representam também um enorme desperdício do potencial humano do país.

Mas existem certas coisas que a educação não é capaz de fazer. Em especial,
a ideia de que fazendo com que mais jovens cursem a universidade nós seremos capazes de restaurar aquela sociedade de classe média com a qual estávamos acostumados é inteiramente falsa. Ter um diploma superior não representa mais garantia de um bom emprego, e isso está se tornando cada vez mais verdadeiro a cada década que passa. Portanto, se quisermos uma sociedade na qual a prosperidade seja amplamente compartilhada, a educação não é a resposta – nós teremos que procurar construir tal sociedade diretamente.

Precisamos restaurar o poder de negociação que o trabalho perdeu nos últimos 30 anos, de forma que tanto os trabalhadores comuns quanto os super astros contem com a capacidade de negociar por melhores salários. Nós temos que garantir as coisas essenciais, em especial o acesso aos serviços de saúde, a todos os cidadãos. O que não conseguiremos fazer é atingir esse objetivo apenas dando diplomas universitários aos trabalhadores. Esses diplomas
poderão representar cada vez mais a entrada em empregos que não existem ou que não pagam salários de classe média.

Paul Krugman
Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, prêmio Nobel de Economia de 2008


A tal da felicidade....


Faço meu o manifesto do Pondé na FSP de hoje!!


LUIZ FELIPE PONDÉ


Deus me livre de ser feliz


Quanto aos meus alunos e aos meus leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus

DEUS ME livre de ser feliz.
Existem coisas mais sérias que a felicidade.
Algum sabichão por aí vai dizer, sentindo-se inteligentinho: "Existem várias formas de felicidade!".
E o colunista dirá: "Sou filósofo, cara. Conheço esse blá-blá-blá de que existem vários tipos de felicidade, mas hoje não estou a fim".
Um bom teste para saber se o que você está aprendendo vale a pena é ver se o conteúdo em questão visa te deixar feliz.

Se for o caso e você tiver uns 40 anos de idade, você corre o risco de sair do "curso" engatinhando como um bebê fora do prazo de validade. A mania da felicidade nos deixa retardados.
Querer ser feliz é uma praga. Quando queremos ser felizes sempre ficamos com cara de bobo. Preste atenção da próxima vez que vir alguém querendo ser feliz.
Mas hoje em dia todo mundo quer deixar todo mundo feliz porque agradar é, agora, um conceito "científico". Quem não agrada, não vende, assim como maçãs caem da árvore devido à lei de Newton.
Mas eu, talvez por causa de algum trauma (fiz análise por 20 anos e acho que Freud acertou em tudo o que disse), não quero agradar ninguém.
Não considero isso uma "vantagem moral", mas uma espécie de vício. Claro, por isso tenho poucos amigos. Mas, como dizem por aí, se você tiver muitos amigos, ou você é superficial, ou eles são, ou os dois.
Quanto aos meus alunos e leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus.
Desejo para eles uma vida atribulada, conflitos infernais com as famílias, dúvidas terríveis quanto a se vale a pena ou não ter filhos e casar.
Desejo que, caso optem por não ter família, experimentem a mais dura solidão da existência humana, porque, no fundo, não passam de egoístas. Mas se tiverem família, desejo que percebam como os filhos cada vez mais são egoístas porque querem ser felizes e livres.
Desejo para eles pressões violentas no mercado de trabalho. E jantares à meia-noite diante de um trabalho que não pode ficar para amanhã porque querem viajar e ter grana para gastar.
Quem quiser ser livre, que aguente a insegurança da liberdade. Quem for covarde e optar por uma vida miseravelmente cotidiana que veja um dia sua filha jogar na sua cara que você foi um covarde.
Especialmente, desejo um futuro cruel para quem acredita que "ser uma pessoa de bem" a protege de ser infiel, infeliz, abandonada e invejosa.

Espero que um dia descubram que, sim, eles têm um preço (apenas desejo que seja um preço alto) e que se vendam.

Espero que percebam que seus pais não foram santos e parem com essa coisa de gente brega de classe média que tenta inventar uma "tradição ética familiar" que só engana bobo.

E por que digo isso? Porque hoje todos nós estamos um tanto infantilizados e só queremos que nos digam o que achamos legal.
O resultado é uma massa de obviedades. A tendência é transformar o pensamento público em autoajuda ou em "compromisso com um mundo melhor", o que é a mesma coisa.
Quem quer agradar é, no fundo, um frouxo. Vejamos alguns exemplos do produto "querer ser feliz". Comecemos por quem acha que o seu "querer ser feliz" é superior e espiritualizado.
Talvez você queira virar luz quando morrer porque ser luz é legal (risadas). Deus me livre de querer virar luz quando morrer. Prefiro as trevas.
Se for para continuar vivendo depois de morto, prefiro viver no "meu elemento", as trevas, porque sou cego como um morcego.
Normalmente, quem quer virar luz quando morrer é gente feia ou magra demais. Mulheres bonitas vão para o inferno, logo...
E gente que acha que frango tem mãe (só porque ele "descende" do ovo de uma galinha, e ela de outro...) e por isso é crime matá-los? Trata-se de uma nova forma de compromisso com a "felicidade social e política".
Entre esses "felizes que desejam a felicidade para os frangos" existem pessoas de 40 anos com cérebro de dez e pessoas de dez anos que um dia terão 40, mas com o mesmo cérebro de dez. Não creio que mudem.
Hoje é Carnaval. Espero que você não tenha pegado aquele trânsito idiota de cinco horas para ser feliz na praia.


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