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Assim falou Paul Krugman

Qualificação profissional e educação não garantem o futuro


Paul Krugman

Todo mundo sabe que a educação é um fator fundamental para o sucesso econômico. E todos sabem que os empregos do futuro exigirão níveis de qualificação cada vez mais elevados. Foi por isso que, ao dar uma declaração quando estava acompanhado do ex-governador da Flórida Jeb Bush, na última sexta-feira, o presidente Barack Obama afirmou: “Se nós desejarmos mais boas notícias sobre empregos, precisaremos investir mais em educação”. Mas há um erro em relação a esta verdade conhecida por todos.

No dia seguinte ao evento do qual Barack Obama e Jeb Bush participaram, o “The Times” publicou um artigo sobre o uso crescente de softwares para a realização de pesquisas na área de direito. Os computadores são capazes de analisar rapidamente milhões de documentos, realizando de maneira barata uma tarefa que antigamente exigia um batalhão de advogados e especialistas em direito. Neste caso, então, o progresso tecnológico está na verdade reduzindo a demanda por trabalhadores com alto nível educacional. E as pesquisas na área de direito não se constituem em um exemplo isolado.

Conforme o artigo observa, os programas de computador estão também substituindo engenheiros em certas atividades, como o design de chips. Falando de forma mais abrangente, a ideia de que a tecnologia moderna elimina apenas os empregos para trabalhadores não qualificados, e de que os profissionais de alta qualificação são os nítidos vencedores, pode prevalecer nas discussões populares, mas a verdade é que tal ideia está na verdade superada há décadas.

O fato é que desde mais ou menos 1990 o mercado de trabalho dos Estados Unidos caracteriza-se não por um aumento generalizado da demanda por qualificações, mas sim por esvaziamento de uma “zona intermediária”: o número de empregos de alta e de baixa remuneração têm crescido rapidamente, mas o daqueles de remuneração média – ou seja, aquele tipo de trabalho que sustenta uma classe média robusta – tem ficado para trás. E esse buraco no campo intermediário do mercado de trabalho tem aumentado continuamente: muitas das ocupações de alta remuneração que cresceram rapidamente na década de noventa têm crescido muito mais lentamente nos últimos tempos, ainda que o índice de empregos de baixa remuneração tenha se acelerado. Por que isso está acontecendo?

A crença de que a educação está se tornando cada vez mais importante se baseia na ideia aparentemente plausível de que os avanços tecnológicos resultam em um aumento das oportunidades de emprego para aqueles indivíduos que trabalham com informação – ou, em outras palavras, na ideia de que os computadores ajudam aqueles que trabalham com o cérebro, prejudicando ao mesmo tempo as pessoas que fazem trabalhos manuais.

Alguns anos atrás, porém, os economistas David Autor, Frank Levy e Richard Murnane argumentaram que esta era a forma errada de pensar a respeito dessa questão. Eles observaram que os computadores são excelentes para as tarefa que envolvem rotina, “tarefas cognitivas e manuais que são realizadas mediante o seguimento de regras explícitas”. Portanto, qualquer tarefa rotineira – uma categoria que inclui muitos empregos qualificados, não manuais – encontra-se na linha de fogo.

Por outro lado, os trabalhos cuja execução não se dá mediante o seguimento de regras explícitas – uma categoria que inclui vários tipos de trabalho manual, de
motoristas de caminhão a zeladores de edifícios – tenderão a crescer mesmo com o progresso tecnológico. A questão fundamental é que a maioria do trabalho manual que ainda está sendo realizado na nossa economia parece ser de um tipo que é difícil de automatizar.

Notavelmente, com os operários respondendo por cerca de 6% do emprego nos Estados Unidos, não restaram muitos empregos nas fábricas para serem perdidos. Enquanto isso, muitos trabalhos qualificados que são atualmente realizados por profissionais de alto nível educacional e que geram um pagamento relativamente elevado poderão ser em breve computadorizados.

O aspirador de pó robotizado Roomba pode ser engraçadinho, mas falta muito ainda para que tenhamos robôs atuando como zeladores de prédios. Mas
a pesquisa computadorizada na área de direito e os diagnósticos médicos auxiliados por computadores já fazem parte da realidade atual.

Além disso, há a globalização. Antigamente, só os trabalhadores de fábricas precisavam se preocupar com a concorrência do exterior, mas a combinação de computadores e telecomunicações tornou possível o fornecimento de diversos serviços à distância. E as pesquisas dos meus colegas da Universidade de Princeton, Alan Blinder e Alan Krueger, sugerem que os trabalhos de alta remuneração feitos por profissionais de elevado nível educacional são mais fáceis de serem transferidos para o exterior do que aqueles desempenhados por trabalhadores de remuneração e nível educacional mais baixos.

Caso eles estejam certos, a tendência
crescente de internacionalização dos serviços esvaziará ainda mais o mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Então, o que tudo isso nos diz a respeito de políticas públicas? Sim, nós precisamos consertar o sistema educacional dos Estados Unidos.
( só de lá????)

Em especial, as desigualdades que os norte-americanos enfrentam logo no início – crianças brilhantes oriundas de famílias pobres têm uma probabilidade menor de concluírem um curso superior do que os crianças bem menos capazes, mas que são filhas de indivíduos ricos – não se constituem apenas em um escândalo; elas representam também um enorme desperdício do potencial humano do país.

Mas existem certas coisas que a educação não é capaz de fazer. Em especial,
a ideia de que fazendo com que mais jovens cursem a universidade nós seremos capazes de restaurar aquela sociedade de classe média com a qual estávamos acostumados é inteiramente falsa. Ter um diploma superior não representa mais garantia de um bom emprego, e isso está se tornando cada vez mais verdadeiro a cada década que passa. Portanto, se quisermos uma sociedade na qual a prosperidade seja amplamente compartilhada, a educação não é a resposta – nós teremos que procurar construir tal sociedade diretamente.

Precisamos restaurar o poder de negociação que o trabalho perdeu nos últimos 30 anos, de forma que tanto os trabalhadores comuns quanto os super astros contem com a capacidade de negociar por melhores salários. Nós temos que garantir as coisas essenciais, em especial o acesso aos serviços de saúde, a todos os cidadãos. O que não conseguiremos fazer é atingir esse objetivo apenas dando diplomas universitários aos trabalhadores. Esses diplomas
poderão representar cada vez mais a entrada em empregos que não existem ou que não pagam salários de classe média.

Paul Krugman
Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, prêmio Nobel de Economia de 2008


Existe vida antes da morte?


Faz tempo que parei de perguntar se existe vida após a morte. Para mim já estaria de bom tamanho saber se existe vida (inteligente) antes dela.

Quem convive com o universo de recursos humanos e gestão de pessoas sabe que as agências de contratação têm vagas abertas há meses e não conseguem preenche-las. Há um gap entre a procura das empresas e as pessoas disponíveis.

Empresas e desempregados falando línguas totalmente diferentes. E a maioria dos desempregados com diplomas, que até preenchem alguns requisitos técnicos, mas pecam nos comportamentais.

Será que estamos condenados a viver a época da ignorância diplomada com direito a MBA e PHD? Onde os neurônios servem apenas para fazer volume na massa encefálica e a cabeça para usar boné de grife?

O máximo que muitos jovens conseguem aspirar hoje em dia é passar em concurso de um órgão público qualquer e entrar nas entranhas do Estado falido na busca por uma aposentadoria segura. A famosa concursite.

Ou ter um patrão, de preferência numa hierarquia bem verticalizada onde haja um supervisor, coordenador, gerente, diretor e um CEO. O objetivo? Pular todas as etapas desse game corporativo, ano após ano, esperando alucinado pelas férias e contando os anos que faltam para a aposentadoria. A vida é só isso?

Geralmente os candidatos à concursos abrem mão de seus sonhos e ideais em nome de uma suposta segurança e mal sabem que aquele salário cheio de gratificações vai servir apenas para pagar a conta do analista e dos anti-depressivos. Geralmente uma vida fútil recheada de frustrações.

No século XVI, Etienne de la Boétie um jovem de apenas 18 anos na França Renascentista escreveu um ensaio que poderia ser uma referência para os dias de hoje:"O Discurso da Servidão Voluntária"

Com algumas variações eu diria que vivemos hoje a pequenez voluntária e a mediocridade auto-imposta.

Fico imaginando se não seriam muito bons os tempos em que Monteiro Lobato queria encontrar Petróleo no Brasil, ( e chegou a ser preso por isso); Santos Dumont construindo o 14 Bis; Mauá construindo ferrovias e lutando contra o boicote comercial inglês; Chateaubriand fazendo a televisão; Juscelino construindo Brasília; Glauber fazendo o cinema novo; Jobim cantando com Sinatra e tantos outros que tinham idéias e ideais.

Onde estão as pessoas que têm um projeto de vida? E de país?

Como uma nação pode avançar sem inovação e sem pessoas que assumam riscos?

Onde se aprende sobre atitudes empreendedoras? Qual o curso que mostra os passos de pessoas que tiveram a coragem de ousar e construir algo muito além de seus solenes umbigos?

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