Existe vida antes da morte?


Faz tempo que parei de perguntar se existe vida após a morte. Para mim já estaria de bom tamanho saber se existe vida (inteligente) antes dela.

Quem convive com o universo de recursos humanos e gestão de pessoas sabe que as agências de contratação têm vagas abertas há meses e não conseguem preenche-las. Há um gap entre a procura das empresas e as pessoas disponíveis.

Empresas e desempregados falando línguas totalmente diferentes. E a maioria dos desempregados com diplomas, que até preenchem alguns requisitos técnicos, mas pecam nos comportamentais.

Será que estamos condenados a viver a época da ignorância diplomada com direito a MBA e PHD? Onde os neurônios servem apenas para fazer volume na massa encefálica e a cabeça para usar boné de grife?

O máximo que muitos jovens conseguem aspirar hoje em dia é passar em concurso de um órgão público qualquer e entrar nas entranhas do Estado falido na busca por uma aposentadoria segura. A famosa concursite.

Ou ter um patrão, de preferência numa hierarquia bem verticalizada onde haja um supervisor, coordenador, gerente, diretor e um CEO. O objetivo? Pular todas as etapas desse game corporativo, ano após ano, esperando alucinado pelas férias e contando os anos que faltam para a aposentadoria. A vida é só isso?

Geralmente os candidatos à concursos abrem mão de seus sonhos e ideais em nome de uma suposta segurança e mal sabem que aquele salário cheio de gratificações vai servir apenas para pagar a conta do analista e dos anti-depressivos. Geralmente uma vida fútil recheada de frustrações.

No século XVI, Etienne de la Boétie um jovem de apenas 18 anos na França Renascentista escreveu um ensaio que poderia ser uma referência para os dias de hoje:"O Discurso da Servidão Voluntária"

Com algumas variações eu diria que vivemos hoje a pequenez voluntária e a mediocridade auto-imposta.

Fico imaginando se não seriam muito bons os tempos em que Monteiro Lobato queria encontrar Petróleo no Brasil, ( e chegou a ser preso por isso); Santos Dumont construindo o 14 Bis; Mauá construindo ferrovias e lutando contra o boicote comercial inglês; Chateaubriand fazendo a televisão; Juscelino construindo Brasília; Glauber fazendo o cinema novo; Jobim cantando com Sinatra e tantos outros que tinham idéias e ideais.

Onde estão as pessoas que têm um projeto de vida? E de país?

Como uma nação pode avançar sem inovação e sem pessoas que assumam riscos?

Onde se aprende sobre atitudes empreendedoras? Qual o curso que mostra os passos de pessoas que tiveram a coragem de ousar e construir algo muito além de seus solenes umbigos?

4 comentários:

André disse...

somente a vida ensina o que tu queres - quando nos diplomamos na vida as agencias de recursos humanos dizem que somos velhos - tudo tem um preço - otimo post.

André disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eduardo Buys, do Blog do Varejo disse...

Maristela,
seu texto vai ao fundo, desta questão de profissionais procurando refúgio e segurança em lugar de desafios.´Este sentimento, com a globalização, parece ter se acirrado.
Outro ponto, menos exposto hoje, com o advento da crise internacional, é o apagão de mão de obra especializada, mal crônico do qual padece o Brasil. É imperioso que o Brasil utilize este lapso forçado, para melhor solucionar este ponto.
Vou navegar um pouco mais pelo seu site Inteligência de Mercado.
Abraço, Edu

Beaz disse...

Haveria como aprendermos na escola o que só anos de experiência nos ensinam para que, como bem disse o André, não estejamos velhos ao nos "diplomarmos" finalmente? Onde está o gargalo? Todo o nosso sistema de crenças precisa ser revisto. Isso vai durar mais tempo do que a crise, do que nós.

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