Como assim..?


Tenho dó da turma do crachá e penso que num futuro bem próximo todos seremos freelas.

Como assim?

Vivemos uma época curiosa.

Nunca se falou tanto em dieta e nunca houve tantos obesos. Nunca se produziu tanto alimento e nunca tanta gente morreu de fome. Tantos novos remédios, mas tantas doenças degenerativas e incuráveis. Tantas Faculdades e tanta ignorância. Mas com um detalhe, agora a ignorância recebe diploma, faz lipo e usa modelito rosa....

Um exemplo das contradições que vivemos é a elevação da carga de trabalho. Com o enxugamento de pessoal, crise, downsizing e fusões, é cada vez mais comum uma pessoa fazer o que antes faziam três ou quatro, sem direito a reclamar, afinal, ela ainda é uma das privilegiadas com-crachá.

Esse é parte do cenário cínico que se instalou nas empresas. Num momento em que o discurso bonito é o de gestão das pessoas paradoxalmente, nunca houve tanta sujeira embaixo do tapete nas organizações, de qualquer setor, porte e nacionalidade.

Quem está empregado hoje paga um alto preço pelo pacote: salário+benefícios+crachá+bônus.
Algo assim como a saúde ou a vida.

É impressionante o número cada vez maior de pessoas com gastrite, hipertensão e otras cositas mas... Pessoas com 20 anos, ou menos. Massacradas.
Com que talento estamos prontos para servir! É muito barato o processo de domesticação, por qualquer plano de saúde, cesta básica, celular ou previdência, fica-se muito dócil.

Por outro lado, pessoas com alta qualificação, fluente em 2 ou 3 idiomas, etc, etc, não conseguem nem uma primeira entrevista.

Das duas, uma. Ou a opção das empresas é pela mediocridade, ou os empregos estão sumindo.

Na dúvida eu fico com as duas prováveis respostas.

A maioria das empresas estáridiculamente medíocre e mortas de medo da inovação.

A maioria dos empregos virou fumaça.

No meio desse barulho todo, as ditas empresas de recolocação ( sic) fazem a festa. Elas conseguem vender o sonho. E muita gente está disposta a pagar pelo jogo: "Me engana que eu gosto".

Logo no início da revolução industrial, os
luditas fizeram um movimento de revolta contra as máquinas.

Luditas no século XIX

Talvez esteja na hora de encarar que passamos por um momento semelhante no século XXI, só que agora anestesiados pela droga do consumo, fazemos qualquer negócio para continuar pagando nosso cartão de crédito em até 12 vezes, para poder comprar tudo aquilo que "precisamos".

Não adianta espernear, nem fazer beicinho.

Tem que encarar.


Sabe qual a profissão que mais vai crescer nos próximos 5 anos?


Quem pensou no pacote básico: Direito, Medicina, Engenharia, deve estar olhando para o espelho retrovisor.

O futuro está em fazer multiplicar os investimentos. Em ensinar a classe C e D a construir um patrimônio e deixar de consumir como loucos no curto prazo.

O futuro será dos Agentes Autônomos de Investimento.

Veja o texto abaixo desse autor e pesquise.

Por falar nisso, quanto você investiu no último mês?

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O agente autônomo e a democratização do mercado de capitais

Enquanto a maioria das pessoas ainda sonha em se tornar médico, engenheiro ou advogado, poucos percebem o nascimento de uma profissão tão promissora quanto as mais tradicionais, a de agente autônomo de investimentos: um profissional focado na distribuição de produtos financeiros, que atua como preposto de corretoras.
A continuidade do Plano Real, a melhora na renda do brasileiro e a redução das taxas de juros geraram um duplo efeito na sociedade brasileira: fizeram despertar naqueles que não investiam o interesse em fazê-lo e levaram os poupadores tradicionais a buscar novas formas de investimento.
É por isso que essa profissão estará entre as que mais crescerão nos próximos anos. Atualmente existem 7 mil profissionais habilitados a atuar no setor, número infinitamente inferior a de países desenvolvidos e mesmo em desenvolvimento, como Índia e China. Se imaginarmos que o número de investidores na bolsa brasileira aumentará 10 vezes em 5 anos (estimativa da bolsa) e que o agente autônomo pode distribuir qualquer produto financeiro (ações, fundos de investimentos, títulos de renda fixa etc), possivelmente teremos cerca de 100 mil profissionais atuando em 2015.
O agente autônomo está para a corretora de valores assim como os corretores de seguros estão para as seguradoras e os correspondentes bancários para os bancos etc. Essa comparação é pertinente para que se entenda que a figura do agente independente, que atua por conta própria, não é restrita ao mundo dos investimentos, existindo nos mais variados segmentos econômicos. Também é oportuno esclarecer que o agente autônomo de investimento não é uma invenção brasileira, existindo, senão em todos, em boa parte dos países, e tendo funcionado como motor do crescimento do mercado financeiro mundo afora.
Pelas dimensões do Brasil, o agente deve ser visto como a maneira mais eficiente de popularizar os investimentos, tendo capacidade de atingir praças que dificilmente seriam abraçadas pelo mercado de capitais. Diferentemente dos gerentes de bancos, que estão focados em produtos bancários, o agente autônomo atua com produtos de investimentos. A população, amadurecida pelo crescimento econômico, quer mais do que um cartão de crédito ou limite no cheque especial; ela quer saber como e onde investir.
O único problema é que poucas instituições estão preparadas para atuar com agentes autônomos e isso pode ser um empecilho para a ascensão dessa nova classe.
O número de processos administrativos na CVM e na Bolsa, em virtude de problemas relacionados à atuação do agente autônomo, aumentou nos últimos anos e fez acender o sinal amarelo nos órgãos reguladores, que vem buscando melhores formas de regular a atividade. As medidas propostas são válidas e sem dúvida devem ser implementadas. Contudo, o problema maior não está na atividade do agente autônomo, mas sim no exercício dessa atividade sem os devidos controles.
Eu talvez esteja em posição privilegiada para analisar a nova regulamentação proposta pela CVM. Comecei em 2001 como agente autônomo e, depois de anos, constituí, junto com outros agentes autônomos, uma corretora de valores.
A exclusividade tão questionada nas últimas semanas me parece vital para a profissionalização da atividade. E a explicação é simples: o agente autônomo, tal qual estabelecido nas normas que regulam a atividade, é considerado uma extensão da corretora, o que significa que a corretora é responsável por seus atos. Assim, nada mais natural e lógico que a CVM exija que esse profissional atue apenas por meio de uma instituição. Não parece fazer sentido alguém assumir a responsabilidade por algo que não possa adequadamente supervisionar.
Pela nova norma proposta, as corretoras que optarem por trabalhar nesse segmento terão que adotar uma série de controles, dentre os quais: equipes de treinamento de autônomos, de controle de risco, de auditoria de ordens e controle de qualidade, de análise, de suporte etc.
Podem parecer muitos os controles, mas - e isso posso dizer com conhecimento de causa - são eles fundamentais para o adequado exercício da atividade do agente autônomo.
O futuro está nítido: o agente autônomo será uma das profissões do futuro e o grande responsável pelo desenvolvimento do mercado de investimentos brasileiro.

Guilherme Benchimol é sócio da XP Investimentos

Fonte: http://www.valoronline.com.br/?impresso/investimentos/91/6309653/o-agente-autonomo-e-a-democratizacao-do-mercado-de-capitais&scrollX=0&scrollY=47&tamFonte=

Shopping Center - uma indústria em expansão


O The Wall Street Journal escrevendo sobre Shopping Center em Porto Velho/RO e Rio Branco/AC?
Quem diria, além da floresta, a Amazônia também é motivo de outros assuntos.

Segundo dados da ABRASCE - Associação Brasileira de Shopping Centers - nosso país está bem colocado no ranking dessa indústria no mundo. Estamos em décimo lugar em número de Centros de Compras e crescendo.

Os números desse setor, seja em construção de novos empreendimentos como em ampliação dos já existentes impressionam e fazem brilhar os olhinhos dos investidores.

A ALSHOP - Associação Brasileira de lojistas de Shopping, traz mais dados da expansão do setor: Um investimento em torno de R$ 6 bilhões dos empreendedores e lojistas nos 3 últimos anos. E esse número está em ascensão contínua.

De 2000 até 2005, o faturamento nominal dos shoppings aumentou 73,9% acumulado, saindo de R$ 23bilhões para R$ 40 bilhões.

14,8% ao ano em média? Nada mal...principalmente se considerarmos que nesse período de eleição presidencial, houve ano em que o crescimento do PIB foi praticamente zero, assim como o de 2009 em decorrência da crise de 2008.
Só em 2008 o movimento foi de R$64,6 bilhões, algo em torno de 2% do PIB.

Com esses resultados, é claro que os "players" internacionais já entraram na disputa dessa fatia do mercado brasileiro. E só entraram porque certamente aplicam ferramentas de BI para scannear as oportunidades globais do setor.

Grupos Portugueses, Canadenses, Americanos tem feito a festa por aqui.

A expansão da base instalada de centros de compras é uma fonte fantástica para se pensar nas estratégias de inteligência de mercado para o comércio do varejo.

Além disso, o conceito do negócio também está em evolução. O modelo agora incorpora outras operações como hotéis, torres de escritórios, clínicas de diagnósticos médicos, faculdades e centros de convenções. Conhecidos também por Open Malls.

Espaços multiuso que tem como principal objetivo agregar mais tráfego de pessoas às dependências, fazendo com que o tempo de permanência seja maior, o que geralmente leva a um aumento do consumo e do ticket médio da compra e que possa gerar ações de merchandising. Um shopping center hoje é também uma mídia.

Com isso o conceito introduz além da modalidade compra, as de centro de convivência, lazer e serviços. Ou seja o antigo conceito de âncora foi expandido.

Mas o que o case "Shopping Center" pode trazer de benchmarking para um empreendimento de pequeno ou médio porte? Sua loja pode estar na rua, ou mesmo ser um e-commerce, mas pode utilizar as estratégias competitivas de um mega empreendimento. Por que não?

Administrativamente, tudo o que um mega empreendimento precisa é útil ao pequeno e médio também. Planejamento, MKT, IM, Finanças, Processos, Gestão de Pessoas, Métodos, Compras, Análise de risco, Qualidade, Inovação, etc.

Não importa o tamanho do seu negócio, olhe no entorno. O observe o cenário, busque informações no seu público consumidor, faça melhorias contínuas baseadas em informação de valor.

Para esse post não ficar muito extenso, deixo a opção de enviar a matéria do "The Wall Street Journal" em português para quem tiver interesse: "Shoppings são a nova etapa no crescimento da Amazônia".

Enviei um e-mail para : marisnmoura@gmail.com

Falta qualificação profissional, Sobram Escolas Técnicas!



A velha pergunta continua cada dia mais atual : Você quer ter razão ou ser feliz?

Pelos dados das recentes observações, se você quer ter razão e carregar um título qualquer, mesmo detestando o que faz, vai fazer um bacharelado qualquer e pronto.
Afinal em países de passado colonial, ser doutor faz bem ao ego.

Mas se você quer ser feliz, por que não fazer um curso técnico ou tecnológico?

Não é nenhuma novidade que nosso país sofre de várias doenças, mas depois da corrupção aparentemente endêmica, talvez a mais nefasta seja a arrogância que é quando a ignorância encontra o orgulho.
A melhor vacina contra essa doença talvez ainda seja a informação e a luz do conhecimento. Dados e fatos analisados sem a burrice do preconceito. Por falar nisso, tem algo mais século XIX do que preconceito? Como que em pleno século XXI ainda continuamos alimentando esse monstrinho?
Em matéria recente do jornal Valor Econômico esse tema volta à tona: Vale a pena uma leitura.

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Em SP, curso técnico é garantia de emprego

A procura das empresas por profissionais qualificados tem garantido mais emprego e melhores salários para quem se forma nos cursos técnicos e tecnológicos do Centro Paula Souza, instituição estadual que administra as faculdades de tecnologia (Fatecs) e as escolas técnicas (Etec) em São Paulo.

Acompanhamento do centro mostra que a empregabilidade dos cursos está cada vez mais alta. Em alguns, como Informática e Soldagem, as contratações chegam a 100% dos formados. Como efeito desse movimento, os salários sobem. O curso de Soldagem apresenta uma remuneração média de dez salários mínimos, o que mostra que, para conseguir os profissionais, as empresas estão oferecendo mais.

" Temos contato com as empresas e elas estão desesperadas por profissionais qualificados. O que a gente forma, eles buscam " , diz Laura Laganá, diretora-superintendente do Centro Paula Souza. Ela conta que, para apoiar os cursos, as empresas têm fornecido materiais e até seus laboratórios para os alunos das Fatecs e Etecs.

Na série que aponta os dez cursos que mais empregam estão formações na área de mecânica, como Processos de Produção (97,3%)e Projetos (93,0%), de construção civil, como Edifícios (97,1%), de informática, como Análise e Desenvolvimento de Sistemas (96,8%),Análise de Sistemas e Tecnologias da Informação (95,2%), além de Projetos e Manutenção de Aparelhos Hospitalares (95,5%), Automação de Escritórios e Secretariado (93,8%) e Logística com ênfase em transportes (91,7%).

" Vários setores vêm se modernizando para se tornar mais competitivos, e nós buscamos acompanhar essas mudanças reformulando os currículos e criando novos cursos, sempre em parceria com o setor produtivo ", diz a diretora. Ela explica que historicamente as pessoas formadas nas Fatecs e Etecs conseguem uma boa colocação no mercado, mas que o centro tem percebido um crescimento da empregabilidade nos últimos anos.

O curso Edifícios, de construção civil, ministrado na Fatec da cidade de São Paulo, é um exemplo disso. Em 2002, primeiro ano de levantamento do dado, 66,7% das pessoas formadas há um ano eram contratadas. Em 2006, esse percentual subiu para 82,4%, e em 2009, chegou a 97,1%. Por conta desse crescimento, o centro planeja abrir o curso em outras unidades.

" Ficamos contentes com essa evolução, e ao mesmo tempo preocupados, porque temos de andar cada vez mais rápido para atender a essa necessidade de profissionais. O apagão de mão de obra prejudica muito as empresas " , diz Laura. Para permitir a sua expansão, o Centro Paula Souza conta hoje com um orçamento de R$ 1 bilhão para 2010, frente a R$ 363 milhões em 2006.

O aumento da procura por formandos reflete também nos salários. O salário médio de quem se forma nesse mesmo curso de construção civil passou de 4,5 salários mínimos em 2006 para 6 mínimos em 2009.

" Existem dois aspectos que puxam a melhoria da remuneração dos formados nos nossos cursos. Um é que são profissionais raros no mercado, e outra é que são setores que costumam pagar bem " , diz a diretora.

Hierarquia + disputa de ego + poder. Esse coquetel mata!

Essa notícia abaixo saiu no portal G1 de hoje numa tradução do NY Times.

Não se iluda. O que ela fala acontece lá e aqui também.

E não é só em hospitais não.

Da padaria da esquina ao cruzeiro transatlântico, nenhuma empresa escapa.

Como o hospital cuida de vidas, o assunto fica mais sério!

No livro Outliers, o autor tem um capítulo sobre acidentes de aviação onde mostra que ficou claramente comprovado nas pesquisas, após vários acidentes graves que quando o acidente não ocorre por falha técnica é por problema da hierarquia.

Co-pilotos percebem o erro fatal mas não abrem a boca para avisar o piloto - autoridade máxima dentro da aeronave!!

O mesmo ocorre entre médicos e outros profissionais de saúde.

Entre diretores e analistas de empresas de todo porte.

Preste atenção quando ele fala nas soluções: Lavar as mãos antes de cada procedimento;
fazer um check list; ter à mão todo o material necessário para o procedimento......
coisas que qualquer manicure deve saber e fazer no seu dia a dia!

Se isso está sendo dito para um hospital dos EUA, você consegue imaginar como as coisas ocorrem por aqui?

Boa leitura, ótimas reflexões e boas atitudes!!
Lutar contra isso: ( infecção hospitalar e também pela melhoria do fluxo gerencial em nosso dia a dia) depende de cada um de nós.
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Pacientes morrem de ‘hierarquia’ nos hospitais dos EUA, critica médico


Especialista Peter Pronovost trabalha em segurança hospitalar. Dar mais autonomia à enfermagem reduz taxa de erro, defende.

Claudia Dreifus Do 'New York Times'


Peter Pronovost, 45 anos de idade, é diretor medico do Grupo de Pesquisa de Qualidade e Segurança do Hospital John Hopkins em Baltimore (EUA), o que significa que ele lidera a busca daquela instituição por formas mais seguras de cuidar dos pacientes. Ele também viaja pelo país, prestando consultoria em hospitais sobre medidas inovadoras de segurança.

NYT - O que o fez começar sua cruzada pela segurança hospitalar?

Peter Pronovost - Meu pai morreu de câncer aos 50 anos. Ele tinha um linfoma, mas tinha recebido o diagnóstico de leucemia. Quando era estudante de medicina do primeiro ano aqui na John Hopkins, levei meu pai a um de nossos especialistas para uma segunda opinião. O especialista disse: “Se você tivesse vindo antes, seria elegível para um transplante de medula óssea, mas o câncer já está muito avançado.”

A palavra “erro” nunca foi pronunciada, mas estava implícita.

Fiquei arrasado, com raiva dos clínicos e de mim mesmo. Eu pensava: “A medicina tem de ser melhor que isso.”

Alguns anos depois, quando eu já era médico, depois de obter um doutorado em segurança hospitalar, conheci Sorrel King, cuja filha de 18 meses, Josie, tinha morrido no Hopkins de infecção e desidratação após a inserção de um cateter.

A mãe e os enfermeiros tinham percebido que a menininha estava com problemas. Mas alguns médicos encarregados de seus cuidados não ouviam. Então, tivemos uma criança que morreu de desidratação, uma doença do terceiro mundo, num dos melhores hospitais do mundo. Muitas pessoas aqui ficaram atormentadas com isso. E a autocrítica que se seguiu fez com que fosse possível para mim realizar novas pesquisas sobre segurança e pressionar por mudanças.


NYT - O que exatamente havia de errado?

Peter Pronovost - Assim como em muitos hospitais, tivemos um trabalho em equipe disfuncional por causa de uma cultura excessivamente hierárquica. Quando as confrontações ocorriam, o problema raramente era enquadrado de forma a buscar o melhor para o paciente.

Era assim: “Eu estou certo. Sou mais experiente que você. Não me diga o que fazer.”

Com a causa da morte de Josie King (infecção após inserção de cateter), nossos índices eram altíssimos: cerca de 11 em mil, o que, na época, nos colocava entre os piores 10% do país.


Cateteres são inseridos nas veias próximas do coração antes de grandes cirurgias, na UTI, para quimioterapia e diálise. O Centro de Controle de Doenças calcula que 31 mil pessoas por ano morrem de infecções no sangue contraídas em hospitais dessa forma.


Então eu pensei: “Isso pode ser impedido. Infecções hospitalares não são como uma doença sem cura. Vamos tentar fazer um check list que padronize o que os clínicos fazem antes do cateterismo.”

Eu achava que, se pegássemos as medidas de segurança mais importantes e encontrássemos alguma forma de torná-las uma rotina, o cenário poderia ser alterado. O check list que desenvolvemos foi simples: lavar as mãos, limpar a pele com chlorhexidina, evitar colocar cateteres na virilha, cobrir o paciente e a si mesmo enquanto insere o cateter, manter um campo esterilizado, e se perguntar todos os dias se os benefícios do cateterismo são maiores que os riscos.


NYT - Lavar as mãos? Os médicos não já fazem isso automaticamente?

Peter Pronovost - Estimativas nacionais dão conta de que nós lavamos as mãos de 30% a 40% das vezes. Em hospitais que estão trabalhando para melhorar seu desempenho de segurança, o número chega a 70%. Mas isso significa que, em 30% das vezes, os profissionais não estão lavando as mãos.


No Hopkins, testamos a ideia do check list na unidade de tratamento intensivo cirúrgico. Ajudou, embora ainda seja necessário fazer mais para diminuir os índices de infecção. Precisamos garantir que os suprimentos – desinfetante, panos, cateteres – estejam próximos e à mão.

Observamos que esses itens eram armazenados em oito lugares diferentes dentro do hospital; por isso, nas emergências, as pessoas muitas vezes “pulavam” passos. Assim, reunimos todo o material necessário e o colocamos juntos num carrinho acessível. Designamos uma pessoa para ficar responsável pelo carrinho e sempre garantir que ele esteja abastecido. Também instituímos supervisores para garantir que o check list estava sendo seguido.

Dissemos: “Médicos, sabemos que vocês são pessoas ocupadas e às vezes se esquecem de lavar as mãos. Então, enfermeiros, vocês devem garantir que os médicos o façam. Se eles não o fizerem, vocês estão autorizados a interromper o início de um procedimento.”


NYT - E o que aconteceu?

Peter Pronovost - Você ia achar que eu tinha começado a Terceira Guerra Mundial! Os enfermeiros disseram que não era parte do trabalho deles monitorar os médicos; os médicos disseram que nenhum enfermeiro interromperia o início de um procedimento. Eu disse: “Médicos, sabemos que não somos perfeitos e que podemos esquecer importantes medidas de segurança. Enfermeiros, como vocês podem permitir que um médico comece sem ter lavado as mãos?”

Disse aos enfermeiros que eles poderiam me mandar mensagem de celular de dia ou de noite, que eu os apoiaria. Em quatro anos conseguimos reduzir os níveis de infecção a quase zero na UTI.

Então, levamos isso a 100 UTIs de 70 hospitais de Michigan. Medimos suas taxas de infecção, implementamos o check list, trabalhamos para obter uma cultura de mais cooperação, para que os enfermeiros pudessem falar. De novo, reduzimos as taxas a quase zero. Estamos motivando hospitais de todo o país a implementar sistemas de check list similares.


NYT - Você sustenta que os hospitais podem reduzir taxas de erro ao dar mais autonomia aos enfermeiros. Por quê?

Peter Pronovost - Porque, em todos os hospitais dos Estados Unidos, pacientes morrem de hierarquia. Pela forma como os médicos são treinados, o domínio experimental é visto como ameaçador e pouco importante. Mas uma enfermeira ou membro da família pode estar com um paciente 12 horas por dia, enquanto um médico só aparece por cinco minutos.


Quando comecei a trabalhar nisso, observei as alegações de responsabilidade de eventos que poderiam ter matado um paciente ou que realmente mataram, em vários hospitais – incluindo o Hopkins. Eu perguntei: “Em quantos desses eventos alguém sabia que algo estava errado e não falou, ou falou e não foi ouvido?”

Até mesmo eu, médico, já passei por isso. Uma vez, durante uma cirurgia, estava administrando anestesia e podia ver que o paciente estava desenvolvendo os sinais clássicos de uma reação alérgica com risco de morte.

Disse ao cirurgião: “Acho que isso é alergia a látex, por favor, mude as luvas.” “Não é”, ele disparou, recusando-se a fazê-lo. Então eu disse: “Me ajude a entender como você está enxergando a situação. Se eu estiver errado, eu só vou estar errado. Mas, se você estiver errado, você vai matar o paciente.” Eu não poderia deixar o paciente morrer porque o cirurgião e eu não estávamos nos entendendo.

Pedi à instrumentista que telefonasse para o reitor da faculdade de medicina, que eu sabia que me apoiaria. Quando ela estava prestes a telefonar, o cirurgião me xingou e finalmente tirou as luvas de látex.


NYT - O que os pacientes podem fazer para se proteger de erros em hospitais?

Peter Pronovost - Eu diria que um paciente pode fazer a seguinte pergunta: “Qual a taxa de infecção do hospital?” Se esse número for alto ou o hospital disser que não sabe, você deve sair correndo. Em qualquer caso, você também deve perguntar se eles usam um sistema de check list.

Quando você já for paciente internado do hospital, pergunte: “Será que eu realmente preciso desse cateter? Estou recebendo benefícios o suficiente para compensar os riscos?” A qualquer pessoa que lhe tocar, pergunte: “Você lavou as mãos?” Parece tolice, mas você tem de ser seu próprio protetor.


* A editora americana Hudson Street Press lançou recentemente o livro “Safe Patients, Smart Hospitals: How One Doctor’s Checklist Can Help Us Change Health Care from the Inside Out”, escrito por Peter Pronovost e Eric Vohr.


Essa notícia pode ser lida aqui

O MBA FIPE "Inteligência Estratégica, Competitiva e Econômica"

REPASSANDO

A dinâmica dos mercados onde atuam as empresas tem sido extremamente intensa e muitas vezes tomamos rumos que parecem imprevisíveis. Novas ações da concorrência, dos clientes, dos agentes econômicos, tecnologias emergentes, exigem das empresas um entendimento acurado sobre o que está acontecendo e o que está por vir. Métodos para compreensão e análise do ambiente competitivo permitindo monitorá-lo, identificar e antecipar ações e movimentos, ameaças e oportunidade, faz a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma empresa.

O MBA FIPE de Inteligência Estratégica, Competitiva e Econômica visa auxiliar os profissionais a desenvolverem competências específicas para a condução de processos de inteligência nas empresas, apresentando técnica e metodologias de análise tanto de mercado quanto do ambiente econômico ou tecnológico que suportem a tomada de decisão. Técnicas e metodologias que permitam captar e entender os movimentos seja de concorrentes, clientes, fornecedores ou outros atores do ambiente social, governamental, econômico, nacional e internacional.

Como complemento ao curso, oferecemos a oportunidade dos alunos cursarem um módulo internacional na França, com obtenção de títulos de master em Economia Internacional e Globalização (condicionada à formação de turma).

Data: Abril de 2010

Dias e horários: sextas (19:00 as 23:00) e sábados (9:00 as 13:00)

Local: Av. Paulista, 1499 - 4o. andar

MAIS INFORMAÇOES AQUI


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