"Doutor Egão, o anti herói que existe em você"



Esse excelente post de Adriano Silva, foi publicado aqui.


E foi publicado originalmente no blog do Portal Exame:
"Manual do Executivo Ingênuo"


Obrigada Adriano, pela permissão da reprodução!

"Conhece alguém cuja única preocupação nessa vida, de manhã até a noite, é aparecer? Ninguém tem mais poder para atrapalhar uma pessoa do que ela mesma. Nenhum outro fator pode prejudicar tanto uma carreira quanto o dono ou a dona dela. Eis o que quero dizer: o maior problema do ser humano, na esmagadora maioria dos becos sem saída em que se mete, é ele mesmo. O “eu” pode ser uma presença bastante deletéria na sua vida, meu amigo e minha amiga ingênuos. Você é o seu ego. No entanto, seu ego pode jogar contra você em uma série de ocasiões. Não ter ego algum é uma porcaria – e deixa você vulnerável. Ter um ego grande, inchado, hipersensível pode ser ainda pior.

O maior problema do executivo egótico, vamos chamá-lo de Doutor Egão, é que ele está sempre focado demais em si mesmo. É um sujeito que vive permanentemente absorto no único assunto que lhe interessa na face da Terra: ele mesmo. Doutor Egão vive para resolver seus problemas – jamais os da empresa para a qual trabalha nem para os do negócio que administra. Na dúvida entre tomar uma decisão que vai ajudar a companhia e uma decisão que vai locupletá-lo, Doutor Egão (que na real não tem essa dúvida coisa nenhuma) opta sempre por si mesmo, por salvar a própria pele, por puxar a brasa para a sua tilápia. Com o tempo, o Doutor Egão trabalha tanto o marketing pessoal que esquece do marketing do produto ou da marca que está sob sua responsabilidade. Então ele se transforma naquele caso típico de executivo com boa visibilidade no mercado mas sem nenhuma, nenhuma mesmo, obra construída a lastrear essa sua imagem. Quanta gente você não conhece assim? Profissionais que tem um baita currículo no papel e nenhum na vida real, que deixam apenas um espaço vazio atrás de si, por onde passam? Esse é o Doutor Egão. O sujeito que vive do próprio RP. Que vive de fazer espuma, de produzir fumaça.



O Doutor Egão, como já está claro, enxerga apenas a si mesmo. Quando olha ao redor, trata-se sempre de um olhar que parte de uma perspectiva na qual ele ocupa lugar central no mundo, na galáxia e, não raro, no universo. Com essa curiosa espécie de miopia, de olhar exclusivamente para dentro, de considerar desimportante tudo que não for espelho, o Doutor Egão deixa de ver muita coisa bacana, relevante, que acontece à sua volta. Deixa de perceber oportunidades, de reconhecer pessoas, de fazer boas escolhas. Tudo nele é umbigo. E umbigo, como se sabe, é um buraquinho miúdo, sem luz nem serventia. (Alías, umbigo, veja só que interessante, é também uma cicatriz… Dois anos de análise para o Doutor Egão!)



Como Doutor Egão é um bocado insensível aos outros (exceto quando se sente ameaçado), ele é incapaz de exercer e de sentir empatia, que é essa habilidade exclusivamente humana de se colocar na posição do outro, de ver o mundo por um momento a partir de uma perspectiva que não é a nossa. Esse exercício é muito rico. E é algo completamente desconhecido pelo Doutor Egão. Eis o que o Doutor Egão não percebe, fundamentalmente: o único caminho realmente sustentável para se tornar notado, querido e respeitado é realizar um bom trabalho, é gerar resultados sólidos, é construir relações vencedoras e duradouras. A fama e a admiração só podem ser sustentadas pelas obras concretas que o sujeito erige ao longo da carreira. O resto é falsificação, é contrabando, é estelionato.


Claro que o Doutor Egão vai morrer antes de admitir isso tudo. A notoriedade e o holofote são a razão da sua existência – não são, em absoluto, o resultado de um trabalho bem feito. (Não é nisso que ele investe as suas melhores energias.) Se você trabalha com o Doutor Egão, ou para ele, saiba que a última de suas preocupações é o time que ele lidera o do qual ele participa. O fim último e primeiro de todos os seus esforços nessa vida é aparecer. Aparecer mais do que os outros. Aparecer mais que você."

Case de MKT Digital Imobiliário

O Jornal Valor Econômico publicou recentemente uma notícia que tem tudo a ver com IM. Vou reproduzi-la parcialmente abaixo, apenas retirando os nomes das empresas citadas.

Imóvel no carrinho

A reformulação do site de uma construtora, concebida por uma empresa de Comunicação Digital, permitiu dobrar as vendas de apartamentos no endereço virtual da empresa.
A estratégia foi dar um tratamento de e-commerce à página.

"A intenção da empresa de comunicação era que o site fosse menos institucional e gerasse mais negócio.
Fizemos uma grande pesquisa com usuários e o resultado foi uma navegação mais rápida e fácil", diz o diretor da empresa, que colocou o site no ar há sete meses.

Segundo a construtora, houve uma evolução de 250% na produtividade dos contatos recebidos por telefone e uma média de 42 vendas para contatos gerados pela web.

O diretor aponta algumas características próprias de e-commerce que "migraram" para o site da construtora:

- processo de busca único,

- uma página para avaliar todas as informações,

- e menos cliques para encontrar os dados.

A inspiração veio até daqueles "carrinhos de compras" comuns nos portais.

"É possível filtrar os imóveis que se deseja e separá-los".

O desafio era que a nova arquitetura virtual levasse o usuário ao atendimento efetivo. Para chegar a esse patamar, a empresa de comunicação digital ampliou as ferramentas.

Além do atendimento, há possibilidade de agendar uma visita on-line ou utilizar o "click to call". Nesse sistema, o potencial comprador envia o número do celular, que toca prontamente com um vendedor do outro lado da linha. De acordo com ele, a qualidade dos contatos melhorou.

Anteriormente, muitos ligavam para, por exemplo, perguntar onde podiam encontrar determinada informação na página.

Outra mudança foi aumentar a visibilidade do site nos buscadores.

"Por causa da forma como o site foi construído, aumentou o número de palavras citadas que levam ao endereço eletrônico." A reestruturação contemplou também "novas mídias".

O site pode ser acessado pelo iPhone e por grande parte dos smartphones.
Notícia retirada daqui

A desinteligência cotidiana

"Comunicação não é o que eu digo, mas o que meu interlocutor entende".

Diante de tão sábia definição, só posso concluir que "comunicar é administrar gaps".

Quer dizer, o que eu digo, na verdade não tem a menor importância. O que eu realmente preciso saber é quais são os valores e mapas de mundo do meu interlocutor, para ver se enquanto eu falo "pedra" ele não está entendendo, "pau".

.... dizem que as guerras nascem assim ...

A grande maioria das empresas aqui pelas terrinhas verde amarelas (e desmatadas), anda tão sucateada que dá até medo de falar de alguns temas, digamos, "modernos".

Em termos de gestão então? Engatinhamos, ou melhor, rastejamos.

Talvez fosse melhor dar um passinho para trás e voltar a falar de atendimento ao cliente, qualidade, 5S. Todos os temas "quentes" ....na década de 90 do século passado... mas parece que nem esses, depois de tantos anos, ainda não foram assimilados pelos nativos locais.

E a Inteligência de Mercado nesse contexto tão...tão...
"...Meu Brasil, brasileiro, meu mulato isoneiro.. vou cantar-te nos meus versos.."?

Coisa de outro mundo!!!

Será que devemos voltar a falar de atendimento e qualidade??? Até quando, meu Deus?

Será que é porque somos uma nação de commodities? Será que de tanto exportar produtos primários e agrícolas, sem nenhum valor agregado, nossas mentes também foram ficando...primárias?

Segundo dados do IBGE, nos últimos 10 anos, os investimentos da indústria de média e alta intensidade tecnológica aumentaram 22%.

Já os investimentos em manufaturas minerais e agrícolas de baixo valor agregado cresceram 490%.

Dê uma olhada no seu pendrive. Você acha que ele foi feito aqui?
Tolinho. Claro que não, só foi montado aqui.
Toda a tecnologia dessa coisinha de nada foi feita fora.

Pois é.
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Sabe de uma coisa? Acho que eu vou fazer o seguinte, vou passar a palavra para um professor da FGV, que vai ver, tem muito mais credibilidade do que eu!
Quem sabe o que ele diz cai mais fundo nos ouvidos de quem precisa mudar?

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Entusiasmo com o Brasil é apenas nuvem passageira

"De uma hora para a outra o Brasil virou a bola da vez para os investidores internacionais.

Segundo o noticiário, somos invejados em todo o mundo. Passamos pela crise incólumes, e melhor, com perspectivas excelentes. Há até futurólogos que voltam a falar que o Brasil será uma das grandes potências globais num futuro não muito distante.

Mas o que é que aconteceu para sermos tão adulados? Quais foram as grandes mudanças que fizemos para merecer tal destaque? Infelizmente, nada. Nada mesmo. É só observarmos os rankings mundiais feitos por diferentes instituições como Banco Mundial, Nações Unidas, Jornalistas sem Fronteiras, Transparência Internacional, Heritage Foudation e Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), dentre outras.

Mas temos que olhar esses rankings como eles devem ser olhados. Não podemos nos comparar com países minúsculos e sem expressão nenhuma no globo. Somos uma das maiores economias e um dos países mais populosos do mundo. Assim, só é válida uma comparação com países grandes e com economias representativas.

Talvez possamos incluir nesse grupo uns 40 países.

Num estudo recente conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) foram elencados 42 países e a posição do Brasil em diferentes aspectos.
O resultado é assustador. Corrupção? Segundo a Transparência Internacional somos o mais corrupto entre os 42.

Dificuldade para abrir um negócio? Idem, estamos na 42ª posição. ( última...)

Liberdade de imprensa, nível de educação e outros indicadores também mostram que o Brasil está muito longe de se tornar uma potência.

A Unesco acaba de divulgar seu ranking de educação. Nossa 88ª posição é no mínimo vergonhosa. É até engraçado: insistimos no ensino do espanhol nas escolas quando nem sabemos inglês e, em alguns países europeus, o chinês é ensinado para crianças. Claro, é com a China que essa geração vai ter que se entender.

O mais interessante é que muitos veem nesses rankings melhoras do país. Passamos da 125ª posição para a 120ª e muitos comemoram.
Mas não há o que comemorar. Em outros aspectos continuamos também na lanterna do mundo mais desenvolvido.
Infraestrutura é um dos aspectos no qual quase nada foi feito nos últimos anos.

É só compararmos estradas e ferrovias com as de outros países. Sem comentar os portos.
Pior que tudo: não temos um plano de longo prazo para o país.

O que queremos para 2040? 2050?

Andamos hoje, como sempre, a reboque dos acontecimentos mundiais.

Isso sem falar na violência, que é manchete constante na imprensa internacional.

E voltamos aqui à questão inicial: porque nos tornamos a bola da vez? O motivo é simples: nosso sistema financeiro não estava exposto a riscos como o de outros países. Bancos no Brasil nunca precisaram se expor a riscos excessivos para auferir ganhos. As operações são relativamente simples e os níveis de alavancagem são minúsculos quando comparados aos de outros países.

Assim, não tivemos nenhum susto na área financeira, que pode continuar concedendo crédito como nunca vimos antes para uma população sedenta por bens de consumo. Pudemos manter, ao menos em parte, o nível de atividades da indústria, combalida pela queda nas exportações.
Aliás, falando em exportações, na lista de 42 nações somos a 40ª em volume de exportações. Isto é, nossa penetração no mundo é pífia.

Mas essa onda de boa vontade com o Brasil se manterá? Provavelmente não. É como se durante uma enchente só o nosso campo de futebol tenha se mantido acima das águas. Não temos arquibancada nem iluminação, nosso gramado é malcuidado. Mas como é o único campo utilizável, todos vieram aqui jogar.
Assim que as águas baixarem, todos voltarão aos seus estádios. Alguns com pequenos estragos, mas nada que em pouco tempo não esteja recuperado. Aí vamos entender que o afluxo de torcedores e jogadores ao nosso campo foi apenas uma nuvem passageira.

É hora de olharmos o Brasil como ele é.

Um diagnóstico realista pode nos levar a tomar decisões com impacto positivo no futuro.
Mas acreditarmos que nos tornamos o paraíso em poucos meses só nos prejudica.
É mais do que tempo de olharmos o longo prazo sob pena de mais e mais nos distanciarmos dos países realmente desenvolvidos."

William Eid Junior é professor titular e coordenador do GV CEF (Centro de Estudos em Finanças da FGV/EAESP)
Artigo publicado no Jornal Valor Econômico

Há exceções?
Claro!
Claro que tem algumas ilhas de excelência! Deus nos livre se não tivesse!

E de desinteligência em desinteligência chegamos aqui...

Mas afinal, o que esperar de um país que importa cabide da China?

Economia do Conhecimento: Porque o mundo é darwiniano....

Silvio Meira - cientista da computação, dentre vários outros títulos, paraibano e professor da Universidade Federal de Pernambuco.
Uma das principais referências sobre a Web e o mundo em rede.

Nesta palestra apresentada em outubro/2009 no MediaOn, ele fala da necessidade de "
Aprender, Desaprender e Reaprender" e como isso se tornou fundamental para profissionais de todas os setores numa sociedade de transformação acelerada e exponencial.

Vale a pena investir 20' do seu tempo para assistir.





Um brasileiro

Recebi esse relato de um leitor do blog, junto com um currículo.

Assim que comecei a ler fui sentindo a verdade escorregando das entrelinhas e comecei a me emocionar.

Percebi que essa narrativa, muito mais do que uma história pessoal, mostra a cara do Brasil dos últimos 40 anos. Um relato sociológico da nossa evolução como sociedade.

Fui prestando atenção ao desenrolar dos fatos cotidianos de uma camada da população que está ascendendo e construindo uma outra vida para seus descendentes.
Do cenário agrário ao urbano em 4 décadas.

O mais bacana é que essa história, que ainda está sendo contada, traz um final surpreendentemente feliz, em função das iniciativas do protagonista.

Posso estar enganada, mas nas mãos de um bom roteirista essa narração viraria um filme, fácil, fácil.

Apaguei todos os vestígios pessoais, pedi permissão ao autor e achei que seria didático publicá-lo.

Mesmo grande como ficou. Afinal, em tempos de 140 caracteres, um texto de cinco laudas com mais de 13.000 caracteres é quase uma enciclopédia...

Atendo pessoas que nunca souberam o que é uma dificuldade na vida. Que não sabem, nem querem saber, de nada além do seu mundo plastificado e digital.
Essa história pode nos trazer de volta à realidade do dia a dia, onde a vida acontece de verdade. Dizem que olhar além do umbigo faz bem. Quem sabe?

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"Nasci em São Paulo, capital. Meu pai foi torneiro mecânico, pastor evangélico, ascensorista e porteiro. Minha mãe, do lar e atendente de enfermagem. Ambos tiveram uma vida difícil com muita luta e dificuldade.

Quando meus pais se conheceram, ele era pastor missionário. Se casaram, ela com 28 e meu pai com 35 anos.
Naquela época não fizeram um planejamento adequado, casaram com poucas coisas e foram construindo aos poucos.

Moravam em São Paulo e minha mãe foi trabalhar de assistente de produção numa fábrica e meu pai de zelador em uma igreja, onde morávamos.

Não me recordo muito dessa fase, aliás, sei que era difícil. Os dois trabalhavam muito e quase não me lembro de termos viajado.

Meus avôs eram pessoas humildes. Não sabiam ler nem escrever. Pessoas do campo. Trabalhavam na lavoura, sonhavam com um futuro melhor para seus filhos e netos.
Meu pai conta que quando passava um avião, meu avô dizia: "...
um dia um fio meu vai dirigir um troço que voa igual esse...". Tiveram 15 filhos.

Meu avô materno, não conheci, dizem que era tocador de viola caipira, homem das serenatas, cantava, dizia que seria ator, e gente famosa, era um contador de piadas.

Minha avó, era do lar e eu vivi um bom tempo de minha infância com ela, admirava seus cabelos escuros e compridos

Recordo-me quando ganhamos nossa primeira televisão. Depois meus pais ganharam um terreno de presente de meu tio. Era muito grande 250 m², 10 de frente e 25 de fundo. Construíram um sobrado e fomos morar lá. Nos mudamos em 1979.

Eu era o responsável para cuidar de meus irmãos. Me lembro que quando tinha 14 anos, meu irmão então com 7 anos, não estava bem - uma gripe forte - e eu o levei ao pronto socorro. Enquanto ele estava sendo medicado, ouvi a enfermeira dizer que ia chamar a assistente social, pois eu era menor de idade. A medicação acabou e eu sai fugido com meu irmão de lá.

Nessa época veio a primeira TV a cores. Nossa, nem jantamos aquele dia. Também veio o som 3 em 1. Que coisa espetacular! Somos todos apaixonados por música, todos tocamos um instrumento lá em casa.

Aos 14 anos comecei trabalhar empurrando carrinho de feira. Trabalhava as terças, quintas e sábados, pra ganhar uns trocados e também pela diversão.

Todos estudamos em colégios públicos. Eu era apaixonado por matemática, cálculo, física e educação física, mas era péssimo em língua portuguesa.

Comecei a trabalhar com carteira registrada com 15/16 anos como office boy, em uma empresa de importação e exportação, no centro de São Paulo.

Nessa época eu andava preocupado, pensava que profissão escolher. Queria ser torneiro mecânico ou engenheiro civil. Fiz um teste no Senai para o curso de torneiro mecânico, passei na primeira fase e não fiz a segunda prova.

Minha mãe dizia que engenharia iria acabar e que os engenheiros seriam trocados por computadores. A profissão do futuro era informática. Não sei de onde ela tirou isso.

Tinha um primo que era programador num grande Banco e já era bem de vida.

Aos poucos me deixei escolher por aquela profissão, fui influenciado, não pelo sucesso financeiro, mas meu primo tinha um computador na casa dele, ohhhh eu queria mexer naquele negócio.

Nessa época fui trabalhar como office boy de uma gerente de uma grande empresa onde meu pai trabalhava como porteiro. Em algumas conversas com ela, falei do meu desejo de trabalhar com tecnologia, então com a influência que ela tinha me arrumou um "estágio" de 1 hora diária para conhecer os computadores do CPD da empresa.

Quer maior influência que essa?

Aos 18 anos entrei para a faculdade para fazer o curso de Processamento de Dados noturno.

Nesse período grandes coisas mudaram, pois comecei a trabalhar como caixa no Banco que meu primo já trabalhava. Planejava, ao término da faculdade, uma transferência para a sede do Banco. Imaginava que meu primo pudesse me ajudar.

Para enriquecer o currículo, fiz um curso de lógica de programação estruturada e linguagem COBOL, numa das melhores escolas do mercado. Gostei muito da profissão e meu desempenho nos teses e avaliações me mostravam um futuro muito bom.

Em Março de 1993, encerrando a faculdade e já com o curso de COBOL, pedi ao Gerente Geral da Agência que me arrumasse uma transferência para trabalhar na sede do Banco. Meu primo dizia que a solicitação deveria partir do gerente. Não deu muito certo, a transferência não veio, e fiquei encarregado de cuidar dos computadores da agência e dos caixas 24 horas.

Em Outubro de 1993, participei de um processo de estágio em outro Banco, passei em todos os testes, porém não fui chamado, isso me deixou apreensivo.

Em Dezembro de 1993 com o término da faculdade, não podia ficar esperando. Radicalizei, pedi a conta e sai do Banco. A idéia era ter mais tempo para dar foco na busca de um estágio.

Com 21 anos, sai atrás de um estágio. Como é cruel, não sabia do CIEE. Louco por uma oportunidade procurei em várias grandes empresas e nada.
Não sei porque minha chance não vinha.

Meu pai me perseguindo, me ajudava a segurar as pontas, mas tinha momentos que a coisa ficava feia.
Nessa época eu tocava contrabaixo para algumas bandas de rock evangélico e fazia alguns arranjos musicais, então várias pessoas me procuravam em casa. Nossa, meu pai queria me matar.

Em em uma festa de aniversário, um tio - sargento da aeronáutica - me colocou em contato com outro primo que era comandante de uma empresa aérea. Ele ficou encantado. Lembrava-se de mim bem pequeno e tentou me ajudar. Disse que eu deveria tentar a profissão de piloto também. Me passou o telefone de um amigo que tinha uma escola de Aviação no Campo de Marte. Segundo ele, era ligar que eu já estaria matriculado, só tinha que escolher entre ser piloto de avião ou helicóptero.

Outro tio ouvindo a história me deu um jornal de classificados daquele domingo e me aconselhou a insistir no estágio, pois já havia feito algum investimento em conhecimento.

Na segunda-feira, mal amanheceu fui pro orelhão - não tínhamos telefone em casa naquela época. Liguei para a escola de Aviação e estava matriculado, mas o restante do curso deveria ser pago e o custo não era pouco.

Desanimado, peguei o jornal que meu tio havia me dado e comecei a ler os anúncios. Ali tinha um chamado de outro Banco, o mesmo no qual eu havia feito um teste 6 meses atrás. Enviei outro currículo.

Fui chamado para os testes, mas não criei muitas expectativas, a vaga era para programador trainee.

Era maio de 1994, não me esqueço dessa data, pois foi quando Ayrton Senna morreu.

Dias depois o Banco me chamou para iniciar o estágio, em Junho. Que alegria, já estava desistindo, quer dizer estava desacreditado e essa vitória renovou minhas esperanças.

Aprendi muito nesse estágio, que era todo voltado para a programação de Grande Porte. Minha gerente era muito exigente comigo e com todos. Em outubro do mesmo ano fui admitido como programador COBOL. Fiquei muito feliz!

Fui alocado na equipe de contas correntes e nessa equipe desenvolvi vários trabalhos. Fui promovido à analista de sistemas junior.

Nessa época conheci minha esposa e nos casamos.

Em Outubro de 1998, busquei novas oportunidades de mercado e fui trabalhar como analista de sistemas pleno numa empresa de tecnologia de outro Banco. Foi um desafio, pois esse Banco havia sido vendido recentemente e em momentos de fusão muitas dúvidas e inseguranças surgem, mas trabalho não faltava.

Em Julho de 1999 fiquei seduzido para trabalhar free para as atividades da virada no milênio. Os ganhos seriam três maiores do que os do Banco. Então fui prestar serviço para outro Banco e dois meses depois fui efetivado como Analista de Sistemas. Gostei do ambiente desse outro Banco.

Passado o ano 2000, comecei a me inquietar, pois apesar do ambiente muito bom, não percebia oportunidades de crescimento, nem profissional nem financeiro. Já era Setembro de 2001.

Até então já havia feito grandes projetos para o Banco, mas falasse na época em PDV, em cortes e uma nova estrutura de RH implementada por um novo Diretor, e isso diminuía ainda mais as expectativa de crescimento.
Oportunidade de mudança de área existiam, mas não eram bem vistas pelo novo Diretor.

Nessa mesma época, num churrasco de família, conversando com um primo - advogado superintendente de uma estatal - e nesse dia ouvi falar de projeto de vida.
De forma muito clara soube que necessitava de um. Rapidamente fiz um projeto de vida, com duas vertentes, profissional e pessoal.

Na profissional identifiquei alguns gaps que necessitavam ser ajustados.

Em Janeiro de 2002 iniciei uma pós graduação, Análise de Sistemas, numa Universidade de primeira linha e entendi que necessitava me qualificar melhor sobre o processo de desenvolvimento de software.

Também fui buscar outra oportunidade de mercado e fui trabalhar como prestador de serviço para mais um Banco, agora num projeto inovador. Fui compor uma equipe que seria a linha de frente na identificação de bug´s do sistema.

Um contato da pós me passou uma oportunidade em outro Banco, o qual achei bastante interessante.
Era para trabalhar como prestador de serviços, mas como desenvolvedor de sistemas. Em Novembro de 2002 iniciei minhas atividades na área de tecnologia desse outro Banco e fui trabalhar com sistemas de cadastros de clientes.

Após o término da pós, voltei ao meu plano profissional e esse apontava que eu precisava me preparar na área de gestão. Com minha qualificação acadêmica toda direcionada à área técnica era necessário um curso de gestão.
Em agosto de 2003 iniciei um MBA em Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação na FGV.

Certa manhã dando uma olhada no caderno de classificados do Estadão, li um anúncio de emprego de um grupo estrangeiro gigante de telefonia no Brasil. Uma oportunidade de analista de negócios, com conhecimento em sistemas de cobrança.

Tive experiência com esses processos nos Bancos e arrisquei enviar meu currículo.

Fui chamado para uma entrevista num dia de semana as 20hs00. A superintendente foi me atender as 22hs30, pois estava numa reunião com uma gerente de produtos. Para minha surpresa, essa gerente era uma pessoa que eu havia prestado serviço num dos primeiros Bancos que eu havia trabalhado no início da minha carreira.

Pronto, em Novembro de 2003 estava iniciando minhas atividades como analista de negócios nesse Grupo onde fiquei por 3 anos. Feliz, pois teria uma nova função e grande oportunidade de aprendizado.

Em maio de 2004 minha superintendente me chamou para uma conversa - até achei que era bronca -, pois no processo de desenho funcional que estava fazendo junto com uma consultoria, solicitei uma nova análise, o que gerou polêmica.
Na verdade ela me chamou para fazer um convite, queria que eu fosse para a Europa por um mês.
Logo eu, que nunca havia viajado de avião na vida. ... Dias depois estava embarcando.

O que era para ser 1 mês se transformou em quase 1 ano, me levando a uma experiência fantástica e desafiadora em todos os aspectos. Fui provado no limite. Idioma novo, morar sozinho, gerenciar as atividades do lar, trabalhar focado.

A equipe de trabalho era multi cultural, chilenos, peruanos, argentinos, brasileiros, espanhóis. Participar das discussões técnicas acaloradas foi marcante.

Após esse período voltei, mas não para a mesma operação brasileira da companhia. O escritório que estava na Europa, onde eu havia trabalhado, veio para São Paulo e continuei trabalhando com eles.

Continuei como analista de negócios, porém com forte interação com as equipes/fábricas de correção de software, era o responsável pela gestão das incidências reportadas.

Em Janeiro de 2006 uma amiga que trabalhava em outro Banco falou sobre uma oportunidade que havia sido aberta na equipe de sistemas de análise de crédito. O cargo não era de gestor, mas o analista faria esse papel e também o de desenvolvedor.

Mudei mais uma vez e no mês seguinte iniciei nesse Banco.
Feliz por mais uma oportunidade, assustado porque dois dias antes de iniciar fui chamado por uma antiga gerente de um antigo Banco Americano que eu já havia trabalhado, querendo me contratar como Analista Sênior. Disse a ela sobre minha atual posição e o assunto ficou esquecido, temporariamente.

Ano de copa do mundo, mudança novos desafios e o Brasil perde para a França.
No dia seguinte, a funcionária de RH do Banco americano, num processo de hunting, me liga marcando uma entrevista para uma vaga como coordenador de sistemas.

Não resisti e fui para o Banco. Sonhava com o retorno e com a possibilidade de atuar com projetos de investimentos, área de negócio que iria trabalhar. Em Agosto fiz a transição.

Após três meses como Coordenador do sistemas de multi-fundos, fui promovido a Gerente Desenvolvimento de Sistemas, agora responsável por 12 sistemas de grande porte, sendo os principais, Multi-Fundos, Poupança, CDB, Câmbio, e outros.

Em Fevereiro de 2008, através de um convite para palestras de informática fui apresentado ao coordenador dos cursos de informática de uma faculdade muito conhecida em São Paulo, aonde posteriormente vim a trabalhar como professor universitário nos cursos de desenvolvimento de sistemas.

Atualmente também atuo como professor universitário, lecionando para os cursos de Gestão Financeira, Logística e Sistemas Integrados de Gestão.

Em Novembro de 2008 fui convidado para participar da equipe de gerentes de projetos da área de tecnologia de uma operadora de cartões de crédito. Aceitei o desafio, pois ainda não havia trabalhado com esse segmento. Assumi a gestão de atividades organizacionais, controle de auditoria e o projeto de melhoria de performance dos sistemas locais.

Meus pais sempre lutaram para nos dar o melhor, a mim e meus irmãos. Hoje somos todos encaminhados e formados."

Você conhece histórias bacanas que merecem ser contadas? Quer divulgar? Me envie.

Green Job: Você ainda vai ter um!



Cá pra nós, sustentabilidade e ecodesenvolvimento é muito mais do que uma questão ambiental, é moral.
Ser verde é ser limpo. Por dentro e por fora.


As atividades "verdes" são irreversíveis. Chegaram pra nunca mais sair.


De tempos em tempos aparece uma nova onda. Um modismo de gestão.

Foi assim com a Reengenharia, Qualidade Total, 5S, Governança Corporativa e devem ter outros menos famosos que eu nem lembro agora, isso pra ficar apenas nos últimos 20 anos.


Junto com cada onda dessa vem o seu guru. E junto com cada guru um furor fundamentalista de cursos, livros, seminários, congressos e especializações.
Toda uma indústria bilionária da nova "tendência", artificialmente fabricada para estimular o consumo.

E de onda em onda, chegamos aos Green Jobs.

Quando um tema cai na mídia de massa, a tendência já vem acontecendo há décadas mas ainda não tinha chegado ao senso comum. Só quando vira manchete de um telejornal da TV aberta é que as pessoas começam a se alertar.

Verde é tudo que se liga em atividades que geram baixo carbono. É tudo que estimula a consciência. Que diminui os impactos. Que são projetados pensando em não deixar rastros, lixo, descarte mínimo e reaproveitamento e reciclagem.


Alguns exemplos:

Captação e distribuição de Energia solar e eólica, Logística reversa, Bioconstrução, Produção de Biodisel, Manejo e Reflorestamento, Produção de mudas de espécies nativas para recuperação de matas ciliares e áreas degradadas, Produção de carros híbridos, Saneamento e estações de tratamento, Biodigestores, Agricultura Orgânica, Geração de energia a partir de biomassa, Gestor de ONG - afinal quem toca o dia a dia estratégico e operacional da Ashoka, WWF e Endeavor?


E mais..


Geoprocessamento (principalmente para análise remota de solos vulneráveis e não só para para mapeamento de GPS). Gestor de Projetos e captação de recursos para o terceiro setor. Games com metodologia 3D. Especialista em Cibercultura e Redes Sociais. Programação de jogos em rede. Programação de sistemas hipermídia/multimídia, realidade virtual e jogos eletrônicos. Ferramentas de EAD (Ensino à distância). Gerontologia; Capacitação de cuidadores; Enfermagem Geriátrica; Especialista em design integrado para sustentabilidade.


Talvez seja importante lembrar um detalhe: para que os empregos "verdes" sejam ocupados é preciso fazer uma escola "verde" com professores que ensinem a pensar "verde" e ajudem na aquisição de novas competências "verdes". Famílias e pais verdes, etc, etc, etc.
Deixar para trás o círculo vicioso e caminhar para o virtuoso.

Esse estudo recente da OIT - Organização Internacional do Trabalho, traz um painel das perspectivas desse segmento para o Brasil:

"Empregos Verdes no Brasil: Quantos são, onde estão e como evoluirão nos próximos anos".
Ele pode ser lido aqui

Wow! Enfim uma campanha inteligente!



Campanha Nespresso!

Atenção para a integração de canais, formato, música, fotografia, roteiro e direção de arte.
Muito mais do que apenas um filme publicitário, uma campanha inovadora de mídia digital.

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