
Uma brasileira de valor morreu e nos deixou um legado que poucos conhecem.
Como pediatra e sanitarista, com soluções simples ela alcançou resultados extraordinários na criação e gestão da Pastoral da Criança, uma ONG bem sucedida, criadora de uma tecnologia social e reconhecida internacionalmente pela seriedade do trabalho.
Água, sal e açucar contra desidratação (solução de soro caseiro).
Casca de ovo, folha de mandioca e fubá e farelo de tigo contra a desnutrição crônica (multimistura).
Como alguém bem disse nas várias homenagens que estão fazendo agora: "Ela viveu o milagre da multiplicação dos pães".
Além disso, quem a conhecia, diz que seu lema era o versículo de João 10:10 - "Eu vim para que tenham vida e vida em abundância".
O trabalho dela era tamanho que dificilmente vai ter uma pessoa para levantar sozinha essa bandeira que ela carregava. Por isso vejo que essa pode ser uma bandeira de todos nós que ficamos.
Dignidade, grandeza, ética, simplicidade, inovação, responsabilidade, humildade, honestidade, motivação, o que mais se pode esperar de uma liderança?
Por que não adotamos pelo menos um desses atributos e colocamos em ação agora? O que mais precisamos para sair da inércia?
Ela e o Betinho tiveram essa visão e não ficaram esperando por nada nem por ninguém, foram à luta. Ambos exerceram sua inteligência espiritual plenamente.
Olharam em volta, não gostaram do que viram, arregaçaram as mangas, conseguiram adesões no caminho e nunca esperaram que nenhum governo fizesse algo.
Lembrando uma música de José Miguel Wisnick ".....se meu mundo caiu, eu que aprenda a levitar..". A Dr Zilda teve a competência e a fé necessária para levitar. Levitou sobre a mortalidade infantil, sobre as dificuldades, sobre a falta de apoio oficial, sobre a cegueira que cobre o nosso olhar sobre a miséria do nosso país. Ela simplesmente levitou e foi em frente.
Aos 73 anos, depois de todo o trabalho realizado podendo escolher estar em casa, curtindo os netos, e desfrutando de uma vida calma, de quem cumpriu seu dever, ela escolheu continuar atuante. Morreu em serviço, em missão humanitária num congresso para levar a experiência da Pastoral para outros países. Ela tinha uma missão e ouvia seu chamado. Ela foi muito além do simples exercício do dever.
E você, o que vai estar fazendo aos 73 anos? Quais vão ser suas escolhas?