Escassez de profissionais na America Latina

"Empresas esbarram em falta de gerentes na América Latina"

Paulo Trevisani | The Wall Street Journal

16/03/2011

Uma escassez de profissionais de alto escalão tem se tornado um obstáculo para as empresas que tentam entrar ou se expandir nos países que mais crescem na América Latina, dizem headhunters e executivos de vários setores.

A alta do câmbio e o boom econômico estão atraindo executivos para trabalhar na região, mas em número ainda insuficiente para o crescente apetite por diretores.

Algumas empresas já tiveram de adiar projetos e aumentar investimento em treinamento interno para executivos, sem falar no gasto com salários mais altos e incentivos para evitar que mudem de emprego, segundo profissionais de recursos humanos.

Analistas sênior e administradores de carteira, por exemplo, têm sido difíceis de achar no Brasil, diz Paulo Silvestri, sócio da Rio Bravo Investimentos, a empresa paulista de investimento em participações que tem negócios em infraestrutura, logística e outros setores. Ele esteve em Nova York em fevereiro para, entre outras coisas, reunir-se com brasileiros recém-formados em cursos de MBA americanos que estavam considerando voltar para o Brasil.

Geralmente, profissionais como esses partiriam para uma carreira internacional logo depois de um MBA no estrangeiro, mas essa tendência se inverteu, diz Silvestri. Segundo ele, pessoas como as que ele entrevistou - cuja possível contratação ainda não estava confirmada - são cada vez mais procuradas e estão em falta, apesar de a remuneração na moeda local parecer mais atraente quando convertida a dólares ou euros.

O real subiu cerca de 25% em relação ao dólar nos últimos quatro anos, enquanto o peso chileno subiu 11%, o sol peruano 18% e o peso colombiano, 19%, só para citar alguns exemplos de uma tendência que se espalha pela América Latina.

Luciano Siani, diretor global de recursos humanos da Vale S.A., uma das maiores mineradoras do mundo, diz que com a alta do real ficou mais fácil oferecer um salário anual de US$ 100.000 a US$ 120.000 (algo como R$ 15.000 mensais) que, segundo ele, é atraente para profissionais que acabam de sair de um MBA de qualidade internacional. A Vale, que recruta em campus de faculdades de alto nível nos Estados Unidos e outros países, tem conseguido atrair talentos para trabalhar no Brasil e outros países latino-americanos em que opera também graças ao bom momento econômico da região, diz ele.

Contudo, Siani diz que "há uma escassez de prontidão para diretores de projeto seniores" para manter o passo com a expansão da companhia, e isso tem levado a Vale a promover executivos mais jovens para esse tipo de posição. "Para liderar um projeto de US$ 3 bilhões, você precisaria de um executivo de seus 40 a 45 anos que já tivesse trabalhado em dois ou três projetos grandes", diz, mas agora a Vale tem cada vez mais promovido pessoas na casa dos 35 e está intensificando o treinamento interno para que possam encarar mais cedo um cargo mais alto.

Como parte desse esforço, diz Siani, a Vale está contratando este ano 40 treinandos de gestão, com até 3 anos de pós-graduação MBA ou equivalente. Eles passarão por um programa de treinamento de 18 meses em seu primeiro passo a caminho de liderar um projeto bilionário na Vale, diz Siani, acrescentando que o grupo deste ano é o dobro do de 2011 e inclui 29 brasileiros e 11 estrangeiros que serão alocados nas operações da Vale ao redor do mundo.

Um desses trainees, Emil Ivanov, mudou-se da Holanda para o Rio em 2008, recrutado pela Vale. Ele diz que foi atraído pela possibilidade de trabalhar "num ambiente muito agressivo e de alta velocidade" que julgava difícil encontrar na Europa. Um profissional de recursos humanos de 26 anos nascido e educado na Bulgária, Ivanov agora está se mudando para a Suíça, onde, como analista sênior de RH da Vale, vai ajudar a companhia a promover sua marca entre possíveis contratados. Ivanov diz ter encontrado no Rio um ambiente de trabalho em que "as pessoas estão abertas a novas ideias". Como trainee, "podia falar diretamente com o diretor-presidente Roger Agnelli, o que não imagino acontecendo, digamos, na Alemanha ou no Reino Unido".

Em geral, a Vale, que divulgou lucro de US$ 17,26 bilhões em 2010, está investindo cerca de US$ 100 milhões em seus programas de treinamento global em 2011, cerca de "30% a 50%" mais do que no ano passado, diz Siani.

Pode valer a pena, já que no setor de mineração os diretores de projeto estão em alta demanda e é difícil de preencher os cargos, especialmente para empresas menos proeminentes, diz John Byrne, diretor de pesquisa de executivos da firma de recrutamento americana Boyden Global Executive Search no Chile.

Em geral, diz Byrne, diretor de projeto é um cargo de US$ 350.000 a US$ 400.000 por ano na América Latina, comparado com US$ 300.000 a US$ 350.000 um ano atrás. Dessa estimativa, 30% representa bônus, e opções de ações não estão incluídas, diz ele. Essa variação, diz Byrne, mais que compensa a alta do custo de vida na região.

Byrne acrescenta que os bancos também estão tendo dificuldade para preencher posições de destaque. A Boyden Chile está procurando um vice-presidente de planejamento e controle para um banco local há mais de seis meses, diz ele. "Encontramos alguns possíveis candidatos", diz, mas outros bancos também fizeram ofertas e eles não acertaram com o cliente de Byrne.

Gerentes de investimento para clientes ricos de bancos agora podem esperar uma oferta de salário 40% mais alta para ir trabalhar num concorrente do mesmo porte em mercados como México, Chile, Brasil e Colômbia, diz Manuel Corsino, um recrutador da Boyden para a América Latina baseado na Flórida e especializado no setor financeiro. Isso se compara a 10% a 20% nos EUA, diz ele. O custo de preservar esses profissionais também está subindo, com bônus de retenção - dado a recém-contratados sob o compromisso de ficarem um certo número de anos no emprego - em alta de 300%, diz Corsino.

Mas nem todo mundo está reclamando. O diretor de recursos humanos do Citigroup Inc. para a América Latina, José Martí, disse num e-mail que "o Citi não tem experimentado nenhuma dificuldade recentemente em preencher posições de alto nível na América Latina". Contudo, Martí admitiu que "o Brasil tem apresentado desafios diferentes", com "uma oferta limitada de talentos de alto nível" que está elevando os níveis de remuneração, disse.

Na verdade, as economias mais aquecidas da região estão absorvendo quase toda a mão de obra disponível, não apenas a qualificada, com o Brasil registrando um desemprego de 6,1% em janeiro que, embora mais alto que o de dezembro, foi o menor para o mês desde 2003, segundo o IBGE. A renda média no país foi de R$ 1.538,30, 5,3% mais alta do que um ano antes. Uma escassez de mão de obra qualificada tem sido observada em várias indústrias no país todo.

No topo da pirâmide corporativa, o salário médio de um diretor-presidente ou equivalente no Brasil subiu 19% entre janeiro de 2009 e janeiro de 2011, para R$ 50.266 por mês, segundo dados da pesquisa trimestral da Catho Online, que ela informa ter ouvido 140.000 pesquisados.

Silvestri, da Rio Bravo, diz que o impacto da escassez de diretores vai além dos custos trabalhistas. "Eu já tive de atrasar alguns projetos" em empresas que a Rio Bravo controla devido à falta de gerentes, diz, sem dar detalhes. Agora sua firma está investindo em treinamento interno, recrutando profissionais jovens e tentando ensinar-lhes novas habilidades.

Fonte: Jornal Valor Econômico - 16/03/2011

Assim falou Paul Krugman

Qualificação profissional e educação não garantem o futuro


Paul Krugman

Todo mundo sabe que a educação é um fator fundamental para o sucesso econômico. E todos sabem que os empregos do futuro exigirão níveis de qualificação cada vez mais elevados. Foi por isso que, ao dar uma declaração quando estava acompanhado do ex-governador da Flórida Jeb Bush, na última sexta-feira, o presidente Barack Obama afirmou: “Se nós desejarmos mais boas notícias sobre empregos, precisaremos investir mais em educação”. Mas há um erro em relação a esta verdade conhecida por todos.

No dia seguinte ao evento do qual Barack Obama e Jeb Bush participaram, o “The Times” publicou um artigo sobre o uso crescente de softwares para a realização de pesquisas na área de direito. Os computadores são capazes de analisar rapidamente milhões de documentos, realizando de maneira barata uma tarefa que antigamente exigia um batalhão de advogados e especialistas em direito. Neste caso, então, o progresso tecnológico está na verdade reduzindo a demanda por trabalhadores com alto nível educacional. E as pesquisas na área de direito não se constituem em um exemplo isolado.

Conforme o artigo observa, os programas de computador estão também substituindo engenheiros em certas atividades, como o design de chips. Falando de forma mais abrangente, a ideia de que a tecnologia moderna elimina apenas os empregos para trabalhadores não qualificados, e de que os profissionais de alta qualificação são os nítidos vencedores, pode prevalecer nas discussões populares, mas a verdade é que tal ideia está na verdade superada há décadas.

O fato é que desde mais ou menos 1990 o mercado de trabalho dos Estados Unidos caracteriza-se não por um aumento generalizado da demanda por qualificações, mas sim por esvaziamento de uma “zona intermediária”: o número de empregos de alta e de baixa remuneração têm crescido rapidamente, mas o daqueles de remuneração média – ou seja, aquele tipo de trabalho que sustenta uma classe média robusta – tem ficado para trás. E esse buraco no campo intermediário do mercado de trabalho tem aumentado continuamente: muitas das ocupações de alta remuneração que cresceram rapidamente na década de noventa têm crescido muito mais lentamente nos últimos tempos, ainda que o índice de empregos de baixa remuneração tenha se acelerado. Por que isso está acontecendo?

A crença de que a educação está se tornando cada vez mais importante se baseia na ideia aparentemente plausível de que os avanços tecnológicos resultam em um aumento das oportunidades de emprego para aqueles indivíduos que trabalham com informação – ou, em outras palavras, na ideia de que os computadores ajudam aqueles que trabalham com o cérebro, prejudicando ao mesmo tempo as pessoas que fazem trabalhos manuais.

Alguns anos atrás, porém, os economistas David Autor, Frank Levy e Richard Murnane argumentaram que esta era a forma errada de pensar a respeito dessa questão. Eles observaram que os computadores são excelentes para as tarefa que envolvem rotina, “tarefas cognitivas e manuais que são realizadas mediante o seguimento de regras explícitas”. Portanto, qualquer tarefa rotineira – uma categoria que inclui muitos empregos qualificados, não manuais – encontra-se na linha de fogo.

Por outro lado, os trabalhos cuja execução não se dá mediante o seguimento de regras explícitas – uma categoria que inclui vários tipos de trabalho manual, de
motoristas de caminhão a zeladores de edifícios – tenderão a crescer mesmo com o progresso tecnológico. A questão fundamental é que a maioria do trabalho manual que ainda está sendo realizado na nossa economia parece ser de um tipo que é difícil de automatizar.

Notavelmente, com os operários respondendo por cerca de 6% do emprego nos Estados Unidos, não restaram muitos empregos nas fábricas para serem perdidos. Enquanto isso, muitos trabalhos qualificados que são atualmente realizados por profissionais de alto nível educacional e que geram um pagamento relativamente elevado poderão ser em breve computadorizados.

O aspirador de pó robotizado Roomba pode ser engraçadinho, mas falta muito ainda para que tenhamos robôs atuando como zeladores de prédios. Mas
a pesquisa computadorizada na área de direito e os diagnósticos médicos auxiliados por computadores já fazem parte da realidade atual.

Além disso, há a globalização. Antigamente, só os trabalhadores de fábricas precisavam se preocupar com a concorrência do exterior, mas a combinação de computadores e telecomunicações tornou possível o fornecimento de diversos serviços à distância. E as pesquisas dos meus colegas da Universidade de Princeton, Alan Blinder e Alan Krueger, sugerem que os trabalhos de alta remuneração feitos por profissionais de elevado nível educacional são mais fáceis de serem transferidos para o exterior do que aqueles desempenhados por trabalhadores de remuneração e nível educacional mais baixos.

Caso eles estejam certos, a tendência
crescente de internacionalização dos serviços esvaziará ainda mais o mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Então, o que tudo isso nos diz a respeito de políticas públicas? Sim, nós precisamos consertar o sistema educacional dos Estados Unidos.
( só de lá????)

Em especial, as desigualdades que os norte-americanos enfrentam logo no início – crianças brilhantes oriundas de famílias pobres têm uma probabilidade menor de concluírem um curso superior do que os crianças bem menos capazes, mas que são filhas de indivíduos ricos – não se constituem apenas em um escândalo; elas representam também um enorme desperdício do potencial humano do país.

Mas existem certas coisas que a educação não é capaz de fazer. Em especial,
a ideia de que fazendo com que mais jovens cursem a universidade nós seremos capazes de restaurar aquela sociedade de classe média com a qual estávamos acostumados é inteiramente falsa. Ter um diploma superior não representa mais garantia de um bom emprego, e isso está se tornando cada vez mais verdadeiro a cada década que passa. Portanto, se quisermos uma sociedade na qual a prosperidade seja amplamente compartilhada, a educação não é a resposta – nós teremos que procurar construir tal sociedade diretamente.

Precisamos restaurar o poder de negociação que o trabalho perdeu nos últimos 30 anos, de forma que tanto os trabalhadores comuns quanto os super astros contem com a capacidade de negociar por melhores salários. Nós temos que garantir as coisas essenciais, em especial o acesso aos serviços de saúde, a todos os cidadãos. O que não conseguiremos fazer é atingir esse objetivo apenas dando diplomas universitários aos trabalhadores. Esses diplomas
poderão representar cada vez mais a entrada em empregos que não existem ou que não pagam salários de classe média.

Paul Krugman
Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, prêmio Nobel de Economia de 2008


A tal da felicidade....


Faço meu o manifesto do Pondé na FSP de hoje!!


LUIZ FELIPE PONDÉ


Deus me livre de ser feliz


Quanto aos meus alunos e aos meus leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus

DEUS ME livre de ser feliz.
Existem coisas mais sérias que a felicidade.
Algum sabichão por aí vai dizer, sentindo-se inteligentinho: "Existem várias formas de felicidade!".
E o colunista dirá: "Sou filósofo, cara. Conheço esse blá-blá-blá de que existem vários tipos de felicidade, mas hoje não estou a fim".
Um bom teste para saber se o que você está aprendendo vale a pena é ver se o conteúdo em questão visa te deixar feliz.

Se for o caso e você tiver uns 40 anos de idade, você corre o risco de sair do "curso" engatinhando como um bebê fora do prazo de validade. A mania da felicidade nos deixa retardados.
Querer ser feliz é uma praga. Quando queremos ser felizes sempre ficamos com cara de bobo. Preste atenção da próxima vez que vir alguém querendo ser feliz.
Mas hoje em dia todo mundo quer deixar todo mundo feliz porque agradar é, agora, um conceito "científico". Quem não agrada, não vende, assim como maçãs caem da árvore devido à lei de Newton.
Mas eu, talvez por causa de algum trauma (fiz análise por 20 anos e acho que Freud acertou em tudo o que disse), não quero agradar ninguém.
Não considero isso uma "vantagem moral", mas uma espécie de vício. Claro, por isso tenho poucos amigos. Mas, como dizem por aí, se você tiver muitos amigos, ou você é superficial, ou eles são, ou os dois.
Quanto aos meus alunos e leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus.
Desejo para eles uma vida atribulada, conflitos infernais com as famílias, dúvidas terríveis quanto a se vale a pena ou não ter filhos e casar.
Desejo que, caso optem por não ter família, experimentem a mais dura solidão da existência humana, porque, no fundo, não passam de egoístas. Mas se tiverem família, desejo que percebam como os filhos cada vez mais são egoístas porque querem ser felizes e livres.
Desejo para eles pressões violentas no mercado de trabalho. E jantares à meia-noite diante de um trabalho que não pode ficar para amanhã porque querem viajar e ter grana para gastar.
Quem quiser ser livre, que aguente a insegurança da liberdade. Quem for covarde e optar por uma vida miseravelmente cotidiana que veja um dia sua filha jogar na sua cara que você foi um covarde.
Especialmente, desejo um futuro cruel para quem acredita que "ser uma pessoa de bem" a protege de ser infiel, infeliz, abandonada e invejosa.

Espero que um dia descubram que, sim, eles têm um preço (apenas desejo que seja um preço alto) e que se vendam.

Espero que percebam que seus pais não foram santos e parem com essa coisa de gente brega de classe média que tenta inventar uma "tradição ética familiar" que só engana bobo.

E por que digo isso? Porque hoje todos nós estamos um tanto infantilizados e só queremos que nos digam o que achamos legal.
O resultado é uma massa de obviedades. A tendência é transformar o pensamento público em autoajuda ou em "compromisso com um mundo melhor", o que é a mesma coisa.
Quem quer agradar é, no fundo, um frouxo. Vejamos alguns exemplos do produto "querer ser feliz". Comecemos por quem acha que o seu "querer ser feliz" é superior e espiritualizado.
Talvez você queira virar luz quando morrer porque ser luz é legal (risadas). Deus me livre de querer virar luz quando morrer. Prefiro as trevas.
Se for para continuar vivendo depois de morto, prefiro viver no "meu elemento", as trevas, porque sou cego como um morcego.
Normalmente, quem quer virar luz quando morrer é gente feia ou magra demais. Mulheres bonitas vão para o inferno, logo...
E gente que acha que frango tem mãe (só porque ele "descende" do ovo de uma galinha, e ela de outro...) e por isso é crime matá-los? Trata-se de uma nova forma de compromisso com a "felicidade social e política".
Entre esses "felizes que desejam a felicidade para os frangos" existem pessoas de 40 anos com cérebro de dez e pessoas de dez anos que um dia terão 40, mas com o mesmo cérebro de dez. Não creio que mudem.
Hoje é Carnaval. Espero que você não tenha pegado aquele trânsito idiota de cinco horas para ser feliz na praia.


Empresas ampliam áreas de inteligência de mercado


Notícia recente do jornal Valor Econômico mostra que Inteligência de Mercado começa "a ser levada à sério" pelas empresas no Brasil.
Mais uma vez as coisas se movem paquidermicamente por aqui.
Um atraso de pelo menos 15 anos.... que pena! Parece que nesse país as empresas tem uma vocação irresistível para ser botequim

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" Uma área até pouco tempo inexistente nos organogramas das companhias começa a ganhar espaço: a inteligência de mercado. Com cerca de uma década de atuação nas empresas brasileiras, o setor cresceu nos últimos dois anos graças ao impacto das novas tecnologias, ao volume de informações geradas pelas redes sociais e à ascensão de novos consumidores no mercado interno.
O resultado tem sido o aumento médio anual de 35% na contratação dos profissionais especializados, segundo estimativas dos headhunters ouvidos pelo Valor.

As equipes de pesquisa definem o que é relevante para a empresa e captam a informação, enquanto as de inteligência analisam os dados e os relacionam com o negócio. Ambas entrar
am em evidência recentemente nos setores de varejo, telecomunicações e bens de consumo.
É o caso da Johnson & Johnson que, no ano passado, deu status de diretoria à antiga gerência de pesquisa. Segundo Suzana Pamplona, diretora de pesquisa da empresa, a área vem crescendo e ganhando importância estratégica. "Nosso desafio é mostrar como o conhecimento do consumidor não apenas valida as ações do negócio, mas gera valor e oportunidades", afirma.

Suzana ressalta que o destaque dessa área mostra que a empresa está se preparando para a entrada de novos consumidores e o impacto das novas tecnologias - o que deve gerar mais contratações na diretoria ainda este ano. "O crescimento da área de pesquisa está impulsionado pelo aumento do consumo interno. Precisamos conhecer cada vez esse mercado e os diferentes tipos de clientes", diz.
De acordo com Glenda Moreira, consultora da DM Executivos, as oportunidades para profissionais da área, normalmente vinculadas à diretoria de marketing, eram pontuais e concentradas em posições operacionais até o ano passado. Desde então, o recrutamento para executivos qualificados começou a crescer, dessa vez mais focado em posições de gestão. "As áreas de pesquisa e inteligência são estratégicas. Elas fornecem desde tendências de mercado até as ações dos concorrentes e dos consumidores."

Para Adriana Cambiaghi, gerente da Robert Half, a área de inteligência de mercado é uma das mais aquecidas dentro do marketing - e que deve registrar um dos melhores desempenhos em 2011. "As empresas estão começando a entender a importância disso para o negócio. Ainda há uma certa resistência a ouvir o que esses departamentos têm a dizer, mas isso tende a se dissipar", afirma.
"Grande parte do trabalho do profissional de pesquisa e inteligência é mostrar a relevância da área para a empresa", confirma a diretora de inteligência de mercado e consumidor da Vivo, Leda Kayano. No último ano, ela completou o quadro de profissionais para atuar em sua equipe, que hoje tem 11 pessoas.
A executiva afirma que, há alguns anos, a atuação nesse mercado se resumia à chamada inteligência competitiva, responsável por monitorar as ações dos concorrentes. "Hoje, nos pautamos por questões mais estratégicas como marca e relacionamento com os clientes", afirma.

A inclusão digital e a explosão de informações geradas nas redes sociais é, para Leda, um dos maiores pontos de atenção da equipe. "Não queremos só ouvir o que se fala da empresa, mas aliar o rigor técnico à tecnologia, inovar na captura da informação e desenvolver novas metodologias. Para isso, é preciso um novo perfil de profissional."
Na opinião de Paula Nader, superintendente executiva de identidade e gestão da marca do Santander, obter informações de públicos diferentes está entre as prioridades do time. "Um dos desafios é aprender a trazer dados de meios não convencionais de pesquisa de mercado como o twitter e os call centers", diz.


Salários mais altos ajudam os jovens a vencer preconceito

Até então consideradas pelos jovens como áreas menos nobres do marketing, a pesquisa e a inteligência de mercado devem começar a entrar no radar dos mais novos. O preconceito relacionado à atividade - reforçado pelas matérias tediosas sobre metodologia na faculdade - e o receio de que a remuneração seja menos competitiva, estão sendo derrubados pelas boas perspectivas profissionais. De acordo com os consultores ouvidos pelo Valor, um gerente sênior de inteligência de mercado pode receber salário mensal de R$ 20 mil.
"São remunerações, em média, 10% a 20% mais altas do que os pagas aos gerentes de produto em marketing", afirma Adriana Cambiaghi, da consultoria Robert Half. A diferença salarial, segundo ela, é favorável aos profissionais de inteligência em todos os níveis, desde o operacional até o gerencial.
A valorização, no entanto, é reflexo da falta de gente especializada na área. "Esses profissionais são diferenciados e raros. Normalmente, eles fizeram carreira nas áreas de pesquisa das empresas ou então nos grandes institutos", afirma Glenda Moreira, consultora da DM Executivos.
"É importante investir em uma combinação de pessoas com diferentes talentos e perfis", afirma Suzana Pamplona, diretora de pesquisa da Johnson & Johnson. Ela acredita que montar times heterogêneos é importante para as companhias, especialmente quando se trata de pesquisa.
A equipe da gerência de conhecimento e relacionamento do Grupo Pão da Açúcar é um exemplo. "São 38 pessoas com formações diversas, como estatística, psicologia, engenharia e sociologia", afirma Cristina Serra, diretora de marketing da rede varejista.
A exigência de um perfil adequado para a área faz com que a empresa leve até cinco meses para recrutar um profissional. "É uma área que exige experiência e identificação com os valores e objetivos da companhia."

Um dos motivos da falta de profissionais no mercado pode estar relacionada ao desinteresse da nova geração. "Os jovens ainda não sabem o que é pesquisa, acham que é aquela matéria chata da universidade. O nosso trunfo é que, depois que os trainees trabalham com o tema, se apaixonam e não querem mais sair", brinca Suzana, da Johnson & Johnson.

Cristina Serra, do Pão de Açúcar, conta que o interesse dos profissionais pela área só começa a despontar agora. "No passado, quem trabalhava em marketing queria ir para planejamento ou criação. Ainda hoje existem poucas pessoas motivadas a seguir carreira em pesquisa", diz.
A valorização do profissional prevista para os próximos anos, porém, pode ajudar a atrair talentos. "Por ser uma área nova, a cada ano existe uma necessidade maior de contratação, seja de empresas que estão promovendo seus profissionais e precisam substitui-los, seja de companhias que estão montando seus próprios departamentos de pesquisa ou inteligência", afirma Adriana Cambiaghi.

Para as empresas que já preveem o desafio futuro, a estratégia tem sido apostar no treinamento dos jovens com potencial. Leda Kayano, diretora de inteligência de mercado e consumidor da Vivo, afirma que a companhia já investe em qualificação de analistas juniores para atuar na área. (VS)"

Vívian Soares | De São Paulo.
21/02/2011
Ana Paula Paiva/Valor

Alma pobre, conta bilionária


O filme "A rede social" mostra um desfile sem fim de fdps.
Todos muito bem vestidos e bem, todos "homens de Harvard".

Mostra também que o Facebook nasceu de uma mistura de frustração, dor, ressentimento, raiva, perda, disfunção social, etc, etc...

Rosabeth Moss Kanter em seu blog da Harvard Business Review tem um post esclarecedor sobre o tema: "Mark Zuckerberg e a miséria como motivação".
http://tinyurl.com/2dsechf

Boa leitura!

Aplicação da Inteligência de Mercado gerando resultados tributários e trabalhistas

Conta de apostador é bloqueada

Tributário: Ganhador da Mega-Sena tem R$ 2,5 milhões penhorados para pagar débito com União

Zínia Baeta | De São Paulo – 30/11/2010

Ganhador de R$ 110 milhões na Mega-Sena, um recém-milionário foi traído pela sorte por uma pequena nota publicada em um jornal de grande circulação no Rio Grande do Sul. O texto informava que o sortudo era um empresário gaúcho, morador de uma cidade do interior do Estado.


A pequena notícia ainda trazia a atividade da empresa da qual é titular e que esta possuía dívidas trabalhistas.


A pouca informação foi suficiente para chamar a atenção de um procurador da Fazenda Nacional. Um levantamento do núcleo de inteligência do órgão descobriu não só o nome do apostador como também um débito de R$ 2,5 milhões de sua empresa com a União. Com essas informações em mãos, o procurador foi à Justiça e conseguiu uma ordem para a penhora do valor na conta do sortudo. "Vi na publicação várias pistas e acendeu-se a luz amarela: se o ganhador reconhece que deve aos empregados, é de se supor que também deva ao Fisco", afirma José Diogo Ciryllo da Silva, procurador-chefe da Fazenda na 4ª Região, no Sul do país.


Entre a leitura da matéria e o bloqueio da conta corrente do milionário devedor passou-se uma semana. A localização do ganhador do prêmio, morador de uma cidade gaúcha de apenas três mil habitantes e proprietário de um frigorífico, não foi difícil para os três procuradores que atuaram no caso, afirma Silva. "Eram muitas evidências", diz. Na investigação, descobriu-se que a empresa do novo milionário respondia a sete execuções fiscais na Justiça, que somavam R$ 2,5 milhões, entre impostos e contribuição para a Previdência Social. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) pediu à Justiça o bloqueio das contas do sócio, o que foi concedido. "Agora o processo tem o seguimento normal: O devedor vai ser citado para se defender", informa.

O levantamento foi realizado por procuradores da Fazenda Nacional da 4ª Região, que fazem parte do Núcleo de Inteligência da PGFN, órgão atrelado ao Grupo de Acompanhamento dos Grandes Devedores da União. Formado por cerca de 65 procuradores, o grupo, como o nome indica, é responsável pelo acompanhamento de processos de cobrança da União com valores a partir de R$ 10 milhões. Dentro dele, os profissionais do núcleo de inteligência, presente em todas as regiões do país, são incumbidos de buscar o histórico do contribuinte e tentar descobrir bens e dinheiro que possam ser penhorados para satisfazer a dívida com a União.

As fontes de busca, segundo procurador-chefe da Fazenda na 4ª Região, são as mais diversas possíveis. Dentre elas, matérias e notas veiculadas em revistas e jornais, denúncias e troca de informações com a Receita Federal e com o Fisco dos Estados. "Todos os dados disponíveis ou que nos permitam fazer uma avaliação do devedor, nós lemos", diz. Como pistas do contribuinte em débito, ele cita os "sinais exteriores de pujança".

A penhora de dividendos ou de juros sobre o capital próprio a serem pagos aos investidores das companhias abertas é um dos trabalhos mais conhecidos do núcleo de inteligência. Os procuradores do órgão são os responsáveis por monitorar a publicação de anúncios de distribuição de dividendos nos jornais. Quando a sociedade anônima discute na Justiça algum débito com a União e não ofereceu bem como garantia no processo, a Fazenda se antecipa ao pagamento aos acionistas e pede o bloqueio do dinheiro no Poder Judiciário.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), realizado no ano passado, mostra que a estratégia rendeu aos cofres públicos um valor superior a R$ 2 bilhões em penhoras entre 2007 e 2009. No mesmo período o Judiciário atendeu a pelo menos 16 pedidos da Fazenda Nacional, que evitaram - ou penhoraram, ao menos temporariamente - a distribuição de dividendos ou de juros sobre o capital aos investidores.

Noticia publicada no Jornal Valor Econômico de 30/11/2010

Ócio, Ócio, Ócio


A importância do ócio
Alberto Benegas Lynch*

Aristóteles escreve na obra Ética a Nicômaco, que as ocupações para contar com recursos para viver são “para ter ócio”, ou seja, para a vida contemplativa, para adentrar-se no sentido da vida e para o conhecimento (daí que “a virtude é o conhecimento”, de acordo com os ensinamentos socráticos).

É por isso que, de acordo com Josef Pieper em “O ócio e a vida intelectual”, a expressão “ócio” deriva de escola, “assim, pois, o nome com que denominamos os lugares em que se leva adiante a educação, e inclusive a educação superior, significa ócio”.

É por isso que Aristóteles em “A política” sustenta que o ócio é o ponto cardeal em torno do qual gira tudo.

Hoje, em grande medida, vive-se concentrado nos meios de vida, mas subestima-se o fim da vida.
Muitos se vangloriam de ter agendas cheias de meios, mas não deixam espaço para os fins. Trabalhar para a arbitragem cotidiana, ou seja, trabalhar para comprar barato e vender caro sem o menor esforço de trabalhar o espírito. Como já dito, ninguém no seu leito de morte se arrepende de não ter ido mais ao escritório, contudo, há arrependimentos por não ter alimentado mais a alma.
Não são poucos os opulentos materiais, mas paupérrimos intelectuais. O que nos caracteriza como seres humanos e nos diferencia das outras espécies é a psiqué, é a capacidade de mergulhar na nossa origem e de conjecturar acerca de nosso destino.
Não contribuímos para fazer que o mundo seja melhor porque nos dedicamos exclusivamente aos meios alimentares, mas sim pelo trabalho que dedicamos para dar alimento aos fins e ao escopo de nossa existência. Sem bússola não é possível chegar a nenhum lugar.
Os fundamentos da sociedade aberta resultam indispensáveis para prosperar mas, por uma parte, seria uma tarefa vazia se não forem aproveitados os tempos de ócio apagando-os com mais negócio (não-ócio) e, por outra, a mesma sobrevivência da liberdade depende do uso que seja dado ao ócio, para efeitos de investigar os pilares do respeito recíproco.

Conforme William Hazlitt, os negociantes de tempo completo sentem uma insuportável fadiga quando pensam no que excede o meramente comercial, e Robert Louis Stevenson afirma que esses personagens vivem em estado comatoso, já que para eles o mundo que vai mais além do negócio “é um alvo total”. Isto ocorre até que a asfixia totalitária não os deixa respirar, já que estão com uma amarra que lhes rodeia o pescoço… ainda que como predito por Lenin, certos “capitalistas competirão pelas amarras com as quais serão enforcados”.

Como bem aponta Pieper, “a falta de ócio, a incapacidade para o ócio, está em relação estreita com a preguiça; da preguiça é de onde procede a intranquilidade e a atividade incansável do trabalhar pelo trabalho”. É a incapacidade para se olhar por dentro, o que, de acordo com Joseph Fabry na sua obra “Em busca de significado”, sucede aos que não podem estar sozinhos, porque são presas da “síndrome do domingo”, precisam de ruído ao seu ao redor para estrangular a vida interior, são aqueles que dão rédeas soltas aos “desejos atávicos e zoológicos”, para fugir de si mesmos, em fuga de “um olhar centrípeta”.
Estes pequenos são os que se mofam dos teóricos, ao mesmo tempo em que eles alardeiam de práticos sem perceber que tudo o que usam é indefectivelmente consequência de elaborações teóricas. O pensamento abstrato é para eles um mundo inacessível, sem sabê-lo, somente praticam os ditados dos inovadores, que conceberam tudo aquilo no que descansa o prático. É indispensável antepor o ócio ao negócio para dar chance que a vida espiritual abra o caminho para a sociedade livre.
Os adiantamentos tecnológicos devem ir precedidos pelo guia moral, caso contrário inexoravelmente aqueles serão utilizados para o mal. E, não só isso, mas sim que a própria concepção tecnológica reduzirá sua qualidade devido a que os sinais no mercado estarão distorcidos pela intervenção do aparelho estadual e “as melhoras” conseguidas carecerão cada vez mais de significado, já que será em grau crescente, o resultado das demandas da estrutura política e não da gente (e na fase de transição sempre deve se contemplar o contra fático, ou seja, quanto mais se teria conseguido, se tivesse deixado o mercado operar).
Diz-se que deve se deixar cada um fazer o seu e se ocupar de seus negócios, mas aqui há duas observações relevantes. Por um lado, “o seu” também é o ócio e não se circunscrever ao negócio. Mas, ainda mais importante é notar que não há o seu se não houver espaço para o ócio, que permite estudar e difundir as ideias da liberdade, inclusive para poder fazer negócios. Constitui um espetáculo bastante vergonhoso, o que fazem a cada tantos anos, aqueles que “fazem o ridículo”, durante o resto do tempo se sentem reivindicados pelas enfáticas opiniões emitidas, enquanto aos candidatos que apoiarão na próxima campanha eleitoral, os quais são naturalmente, cada vez mais esquálidos em seus discursos, devido, precisamente, à oposição destes fantoches durante o resto do tempo.
Isto para nada significa desqualificar o mundo dos negócios, sem os quais, entre muitas outras coisas, não disporíamos de pão, de leite, de medicamentos, de moradia, de luz, de livros (nem de jornais). O que se trata é compreender que nada do que apreciamos pode existir - começando pela própria condição humana - se não lhe dedicamos o espaço suficiente para o ócio, no sentido aqui comentado. Com razão aborrece muito, por exemplo, quando se diz pejorativamente que os médicos são comerciantes, como se essa profissão e a medicina em geral, devessem viver de ar e como se quem a condena não estivesse mantido pelo comércio. Finalmente, o comércio significa dar a outros, o que precisam em troca de entregar o que o primeiro requer. São serviços recíprocos.
Contudo, há um complexo de inferioridade por não trabalhar tempo integral nos meios de vida. É como se isto desse sentido à própria existência. Tanto é o vazio existencial que há que ser totalmente preenchido com as atividades comerciais, do contrário, a pessoa estima que não é ninguém e, efetivamente, tem razão, mas subestima sua condição de vazio, posto que continua sendo ninguém ainda que esteja no escritório durante as 24 horas ou esteja “conectado” a algum meio eletrônico, porque, na verdade, está desconectado da vida. Para estes sujeitos dedica-se a reflexão de Borges, quando escreve na obra “O fazedor”: “Já se havia adestrado no hábito de simular que era alguém para que não se descobrisse sua condição de ninguém”.

* Presidente da Seção Ciências Econômicas da Academia Nacional de Ciências da Argentina. É Professor Emérito da Eseade (Escola Superior de Economia e Administração de Empresas em Buenos Aires), instituição na qual desempenhou o cargo de Decano por 23 anos. Este texto publicadaoa nteriormente no jornal “Diário da América”, Nova Iorque, 28 de outubro de 2010.
(Instituto Akatu)
Texto publicado aqui em 26/11/2010 10:25:09

Novos universos, novas abordagens
















Assistir "A Origem" já não é mais uma opção, é quase uma obrigação.

Imperdível é um adjetivo apagado diante da grandeza do filme.

Assim como Matrix inaugurou a nova estética do século XXI, A Origem dialóga com as várias camadas de realidades que nos rodeiam.

Já não basta ser inteligente para dar conta de um negócio, é preciso ampliar a consciência.

Como assim..?


Tenho dó da turma do crachá e penso que num futuro bem próximo todos seremos freelas.

Como assim?

Vivemos uma época curiosa.

Nunca se falou tanto em dieta e nunca houve tantos obesos. Nunca se produziu tanto alimento e nunca tanta gente morreu de fome. Tantos novos remédios, mas tantas doenças degenerativas e incuráveis. Tantas Faculdades e tanta ignorância. Mas com um detalhe, agora a ignorância recebe diploma, faz lipo e usa modelito rosa....

Um exemplo das contradições que vivemos é a elevação da carga de trabalho. Com o enxugamento de pessoal, crise, downsizing e fusões, é cada vez mais comum uma pessoa fazer o que antes faziam três ou quatro, sem direito a reclamar, afinal, ela ainda é uma das privilegiadas com-crachá.

Esse é parte do cenário cínico que se instalou nas empresas. Num momento em que o discurso bonito é o de gestão das pessoas paradoxalmente, nunca houve tanta sujeira embaixo do tapete nas organizações, de qualquer setor, porte e nacionalidade.

Quem está empregado hoje paga um alto preço pelo pacote: salário+benefícios+crachá+bônus.
Algo assim como a saúde ou a vida.

É impressionante o número cada vez maior de pessoas com gastrite, hipertensão e otras cositas mas... Pessoas com 20 anos, ou menos. Massacradas.
Com que talento estamos prontos para servir! É muito barato o processo de domesticação, por qualquer plano de saúde, cesta básica, celular ou previdência, fica-se muito dócil.

Por outro lado, pessoas com alta qualificação, fluente em 2 ou 3 idiomas, etc, etc, não conseguem nem uma primeira entrevista.

Das duas, uma. Ou a opção das empresas é pela mediocridade, ou os empregos estão sumindo.

Na dúvida eu fico com as duas prováveis respostas.

A maioria das empresas estáridiculamente medíocre e mortas de medo da inovação.

A maioria dos empregos virou fumaça.

No meio desse barulho todo, as ditas empresas de recolocação ( sic) fazem a festa. Elas conseguem vender o sonho. E muita gente está disposta a pagar pelo jogo: "Me engana que eu gosto".

Logo no início da revolução industrial, os
luditas fizeram um movimento de revolta contra as máquinas.

Luditas no século XIX

Talvez esteja na hora de encarar que passamos por um momento semelhante no século XXI, só que agora anestesiados pela droga do consumo, fazemos qualquer negócio para continuar pagando nosso cartão de crédito em até 12 vezes, para poder comprar tudo aquilo que "precisamos".

Não adianta espernear, nem fazer beicinho.

Tem que encarar.


Sabe qual a profissão que mais vai crescer nos próximos 5 anos?


Quem pensou no pacote básico: Direito, Medicina, Engenharia, deve estar olhando para o espelho retrovisor.

O futuro está em fazer multiplicar os investimentos. Em ensinar a classe C e D a construir um patrimônio e deixar de consumir como loucos no curto prazo.

O futuro será dos Agentes Autônomos de Investimento.

Veja o texto abaixo desse autor e pesquise.

Por falar nisso, quanto você investiu no último mês?

________________________________________

O agente autônomo e a democratização do mercado de capitais

Enquanto a maioria das pessoas ainda sonha em se tornar médico, engenheiro ou advogado, poucos percebem o nascimento de uma profissão tão promissora quanto as mais tradicionais, a de agente autônomo de investimentos: um profissional focado na distribuição de produtos financeiros, que atua como preposto de corretoras.
A continuidade do Plano Real, a melhora na renda do brasileiro e a redução das taxas de juros geraram um duplo efeito na sociedade brasileira: fizeram despertar naqueles que não investiam o interesse em fazê-lo e levaram os poupadores tradicionais a buscar novas formas de investimento.
É por isso que essa profissão estará entre as que mais crescerão nos próximos anos. Atualmente existem 7 mil profissionais habilitados a atuar no setor, número infinitamente inferior a de países desenvolvidos e mesmo em desenvolvimento, como Índia e China. Se imaginarmos que o número de investidores na bolsa brasileira aumentará 10 vezes em 5 anos (estimativa da bolsa) e que o agente autônomo pode distribuir qualquer produto financeiro (ações, fundos de investimentos, títulos de renda fixa etc), possivelmente teremos cerca de 100 mil profissionais atuando em 2015.
O agente autônomo está para a corretora de valores assim como os corretores de seguros estão para as seguradoras e os correspondentes bancários para os bancos etc. Essa comparação é pertinente para que se entenda que a figura do agente independente, que atua por conta própria, não é restrita ao mundo dos investimentos, existindo nos mais variados segmentos econômicos. Também é oportuno esclarecer que o agente autônomo de investimento não é uma invenção brasileira, existindo, senão em todos, em boa parte dos países, e tendo funcionado como motor do crescimento do mercado financeiro mundo afora.
Pelas dimensões do Brasil, o agente deve ser visto como a maneira mais eficiente de popularizar os investimentos, tendo capacidade de atingir praças que dificilmente seriam abraçadas pelo mercado de capitais. Diferentemente dos gerentes de bancos, que estão focados em produtos bancários, o agente autônomo atua com produtos de investimentos. A população, amadurecida pelo crescimento econômico, quer mais do que um cartão de crédito ou limite no cheque especial; ela quer saber como e onde investir.
O único problema é que poucas instituições estão preparadas para atuar com agentes autônomos e isso pode ser um empecilho para a ascensão dessa nova classe.
O número de processos administrativos na CVM e na Bolsa, em virtude de problemas relacionados à atuação do agente autônomo, aumentou nos últimos anos e fez acender o sinal amarelo nos órgãos reguladores, que vem buscando melhores formas de regular a atividade. As medidas propostas são válidas e sem dúvida devem ser implementadas. Contudo, o problema maior não está na atividade do agente autônomo, mas sim no exercício dessa atividade sem os devidos controles.
Eu talvez esteja em posição privilegiada para analisar a nova regulamentação proposta pela CVM. Comecei em 2001 como agente autônomo e, depois de anos, constituí, junto com outros agentes autônomos, uma corretora de valores.
A exclusividade tão questionada nas últimas semanas me parece vital para a profissionalização da atividade. E a explicação é simples: o agente autônomo, tal qual estabelecido nas normas que regulam a atividade, é considerado uma extensão da corretora, o que significa que a corretora é responsável por seus atos. Assim, nada mais natural e lógico que a CVM exija que esse profissional atue apenas por meio de uma instituição. Não parece fazer sentido alguém assumir a responsabilidade por algo que não possa adequadamente supervisionar.
Pela nova norma proposta, as corretoras que optarem por trabalhar nesse segmento terão que adotar uma série de controles, dentre os quais: equipes de treinamento de autônomos, de controle de risco, de auditoria de ordens e controle de qualidade, de análise, de suporte etc.
Podem parecer muitos os controles, mas - e isso posso dizer com conhecimento de causa - são eles fundamentais para o adequado exercício da atividade do agente autônomo.
O futuro está nítido: o agente autônomo será uma das profissões do futuro e o grande responsável pelo desenvolvimento do mercado de investimentos brasileiro.

Guilherme Benchimol é sócio da XP Investimentos

Fonte: http://www.valoronline.com.br/?impresso/investimentos/91/6309653/o-agente-autonomo-e-a-democratizacao-do-mercado-de-capitais&scrollX=0&scrollY=47&tamFonte=

Shopping Center - uma indústria em expansão


O The Wall Street Journal escrevendo sobre Shopping Center em Porto Velho/RO e Rio Branco/AC?
Quem diria, além da floresta, a Amazônia também é motivo de outros assuntos.

Segundo dados da ABRASCE - Associação Brasileira de Shopping Centers - nosso país está bem colocado no ranking dessa indústria no mundo. Estamos em décimo lugar em número de Centros de Compras e crescendo.

Os números desse setor, seja em construção de novos empreendimentos como em ampliação dos já existentes impressionam e fazem brilhar os olhinhos dos investidores.

A ALSHOP - Associação Brasileira de lojistas de Shopping, traz mais dados da expansão do setor: Um investimento em torno de R$ 6 bilhões dos empreendedores e lojistas nos 3 últimos anos. E esse número está em ascensão contínua.

De 2000 até 2005, o faturamento nominal dos shoppings aumentou 73,9% acumulado, saindo de R$ 23bilhões para R$ 40 bilhões.

14,8% ao ano em média? Nada mal...principalmente se considerarmos que nesse período de eleição presidencial, houve ano em que o crescimento do PIB foi praticamente zero, assim como o de 2009 em decorrência da crise de 2008.
Só em 2008 o movimento foi de R$64,6 bilhões, algo em torno de 2% do PIB.

Com esses resultados, é claro que os "players" internacionais já entraram na disputa dessa fatia do mercado brasileiro. E só entraram porque certamente aplicam ferramentas de BI para scannear as oportunidades globais do setor.

Grupos Portugueses, Canadenses, Americanos tem feito a festa por aqui.

A expansão da base instalada de centros de compras é uma fonte fantástica para se pensar nas estratégias de inteligência de mercado para o comércio do varejo.

Além disso, o conceito do negócio também está em evolução. O modelo agora incorpora outras operações como hotéis, torres de escritórios, clínicas de diagnósticos médicos, faculdades e centros de convenções. Conhecidos também por Open Malls.

Espaços multiuso que tem como principal objetivo agregar mais tráfego de pessoas às dependências, fazendo com que o tempo de permanência seja maior, o que geralmente leva a um aumento do consumo e do ticket médio da compra e que possa gerar ações de merchandising. Um shopping center hoje é também uma mídia.

Com isso o conceito introduz além da modalidade compra, as de centro de convivência, lazer e serviços. Ou seja o antigo conceito de âncora foi expandido.

Mas o que o case "Shopping Center" pode trazer de benchmarking para um empreendimento de pequeno ou médio porte? Sua loja pode estar na rua, ou mesmo ser um e-commerce, mas pode utilizar as estratégias competitivas de um mega empreendimento. Por que não?

Administrativamente, tudo o que um mega empreendimento precisa é útil ao pequeno e médio também. Planejamento, MKT, IM, Finanças, Processos, Gestão de Pessoas, Métodos, Compras, Análise de risco, Qualidade, Inovação, etc.

Não importa o tamanho do seu negócio, olhe no entorno. O observe o cenário, busque informações no seu público consumidor, faça melhorias contínuas baseadas em informação de valor.

Para esse post não ficar muito extenso, deixo a opção de enviar a matéria do "The Wall Street Journal" em português para quem tiver interesse: "Shoppings são a nova etapa no crescimento da Amazônia".

Enviei um e-mail para : marisnmoura@gmail.com

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